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Nostalgia Rebobinada

Publicado em 24/02/2021

Moda retrô do momento, que conta com a adesão de grandes nomes da música pop, as fitas cassetes ressurgem para atender a demanda de um nicho de saudosistas dos anos 60 a 80 e atrair um novo público.

Muitos aqui devem se identificar com a cena. O rádio sintonizado na estação preferida, que só toca aqueles hits que adoramos. A música começa e, como um raio, apertamos o REC (o dedo já estava posicionado) para não perder nenhum acorde. A adrenalina do momento crucial rapidamente é substituída pela tensão e esperança de que o locutor não vá fazer nenhum comunicado até o final da música, outro momento importante que exigia precisão e agilidade. O processo então se repetia várias vezes, ao se ouvir o anúncio de que a música desejada seria a próxima a tocar, ou, quando não havia o comunicado, exigindo muita paciência, atenção e um bocado de sorte.  

Foi um ritual comum por décadas, que servia tanto para montar a própria coletânea de hits favoritos, músicas de viagem, para momentos íntimos, para arrepiar a turma do bailinho, declarações de amor e “demos” de seu próprio som. Que artista iniciante e banda de garagem, ainda sem dinheiro e estrutura, não gravou seu som nos pequenos paralelepídedos, fez várias cópias e saiu por aí rodando gravadoras e rádios na esperança de ser “descoberto” e estourar? 

A nossa personagem de hoje, a fita cassete (que por aqui também virou K7), criada pela Philips em 1963, transformou o mercado fonográfico ao popularizar o acesso à gravação e reprodução de áudio de uma forma muito mais prática e barata. Ao fundir-se com o Walkman da Sony, no final dos anos 70 (falamos de seus 40 anos aqui), completou uma revolução de portabilidade sonora também sem precedentes.

É verdade que existiam alguns defeitos, como a qualidade de som questionável (mas que melhorou muito com o avanço da tecnologia) e os inexplicáveis e aterrorizantes desentendimentos com os gravadores/reprodutores, que viravam engasgos e culminavam em um furioso regurgitar da fita magnética, arruinando para sempre horas de trabalho e coletâneas inestimáveis. Mesmo assim, ocupam um espaço importante, tanto na história fonográfica mundial, quanto em nossos corações. 

Talvez seja esse saudosismo o responsável por um movimento que vem ganhando força nos últimos anos e confirmando as fitas cassetes como a nova moda retrô. Após o ressurgimento dos vinis (saiba mais aqui) é a vez das fitas cassete ganharem novamente os holofotes.  

Vinda do além mar, mais precisamente do Reino Unido, onde as novas (ou renovadas) modas musicais tendem a surgir, a tendência de crescimento de vendas superou 150.000 unidades no ano passado (maior número desde 2003). Sim, não chega a ser um número assombroso. Não está nem próximo dos quase 5 milhões do vinil, ou do amplamente dominante streaming, mas considerando a trajetória recente do biscoitão, tendemos a acreditar que vai se consolidar em um determinado nicho.

E não são apenas dos nostálgicos que estamos falando. Precisamos considerar um novo público mais jovem, com uma pegada hipsters, que enxergam a tecnologia com curiosidade e uma forma toda “diferentona” de se expressar. Claro que não fica tudo a cargo dos hormônios adolescentes. O mercado tem um dedo nessa história. Acompanhando de perto a ascensão dos vinis, apostou nas “fitinhas” para instigar ainda mais o desejo dos fãs, como no álbum “Chromatica”, da diva pop Lady Gaga, que foi disponibilizado em K7’s colecionáveis de várias cores. 

Eis o X da questão. A fita cassete obviamente não é a tecnologia mais indicada para o consumo do álbum, mas soma-se a uma gama de outros itens exclusivos de memorabilia, como pôsteres, camisetas e afins, compondo o kit do fã de carteirinha. É parte daquela vontade de ter algo físico do ídolo, que se possa cultuar, como o vinil também faz. 

Por aqui, a Polysom, especializada em LP, também abriu os olhos para o formato de fita e viu os saudosistas e novos curiosos se alvoroçarem. O movimento do mercado ainda aqueceu as vendas de aparelhos de segunda mão para se possibilitar ouvir as fitas cassetes. Nem a Sony ficou de fora. Relançou seu Walkman e reeditou o tão bem-sucedido casamento de outrora, adicionando ainda novos recursos tecnológicos com espaço para cartão micro SD e armazenamento interno de músicas.

O fato é que, com preço mais acessível (cerca de um terço do o vinil), as fitas cassetes ainda tem muito o que reconquistar e fãs para satisfazer, com “chiadinhos” (muitos consideram fundamental!) e tudo. 

Nessa toada, alguém duvida que os CD’s (veja aqui) estão dobrando a esquina do retrô?

Fonte: Veja  

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