Marcelinho Moreira: “Fé no batuque”

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Marcelinho Moreira: “Fé no batuque”

(Foto por: Daniel Marenco)

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Para quem quiser saber o que anda rolando no samba contemporâneo basta ouvir o segundo disco de Marcelinho Moreira.

“Fé no batuque” é uma espécie de resumo, ou melhor, síntese do samba carioca de fato, nem o purismo nostálgico e arrogante do chamado “samba de raiz” nem a diluição do pagode romântico mais safado. É samba, só, por quem sabe fazer, é herdeiro dos grandes baluartes mas tem a sensibilidade no presente e o olho no futuro do gênero.

Filho de sambista (Adherbal Moreira, autor, por exemplo, do samba enredo clássico “Festa do Círio de Nazaré”), percussionista que mesmo jovem já é considerado um mestre acompanhando gente como Martinho da Vila, Arlindo Cruz e Maria Rita, Marcelinho estreou em carreira solo no disco apadrinhado e produzido por Martinho em “Marcelinho Pão e Vinho” (2006). Se neste ensaiava os primeiros passos como compositor, agora em “Fé no batuque” apresenta um forte repertório autoral, assinando nove sambas sozinho ou com parceiros diversos.

Nos arranjos Marcelinho esbanja prestígio também ao reunir a nata dos arranjadores de samba da atualidade: dos experimentados Ivan Paulo, Mauro Diniz, Claudio Jorge, Jota Moraes.

As participações especiais também trazem essa marca de prestígio e síntese. Há a presença do ídolo Martinho da Vila, na parceria de ambos (e mais Fred Camacho), “Samba sem letra”, cadenciado, romântico e erótico como tantos de Martinho. Há a presença tão atual de Seu Jorge, que divide com Marcelinho o delicioso pagode “O dia se zangou”, de Mauro Diniz e Ratinho, pinçado do primeiro e espetacular disco de estréia de Jovelina, o “Pérola negra”, a quem a faixa é dedicada.

Arlindo Cruz participa de seu criativo partido (em parceria com Lenine) “Pra bom enté meia pala bá”, composto só de palavras cortadas. Os botafoguenses Beth Carvalho e Zeca Pagodinho, dois dos inventores do samba contemporâneo, cantam com Marcelinho a linda homenagem ao Glorioso “Nosso amor é preto e branco”, que ainda conta com a participação de Regina “Esquenta” Casé e Hélio “Casseta e Planeta” De La Peña, em um samba em parceria com Claudio Jorge. Síntese é isso aí.

(Capa do seu CD)

(Capa do seu CD)

Na escolha do repertório, nas letras, nas parcerias tudo leva a essa idéia de síntese do que é fazer samba hoje no Rio de Janeiro.

A boemia, e a boemia em Vila Isabel, é outra característica do samba contemporâneo. Numa parceria com Arlindo Cruz, Marcelinho fala disso no partido “Provar teu mel”, de quebra reverenciando a influência de Luiz Carlos da Vila em todos os compositores e comentando o Rio de Janeiro da pacificação.

Num disco fiel à sua escola, a do partido alto carioca reinventado por Martinho da Vila e continuado pela Geração Cacique de Ramos, Marcelinho Moreira mostra a sua cara. E reafirma de forma muito feliz sua fé. No batuque, claro.

 

Fonte: Hugo Sukman

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