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Neste 22 de outubro de 2026, Rolando Boldrin completaria 90 anos. Dono de uma voz marcante, de uma sensibilidade singular e de um profundo amor pelas tradições brasileiras, o artista construiu uma trajetória que ultrapassou os limites da música e da televisão. Mais do que interpretar canções e contar histórias, Boldrin fez de sua arte uma forma de preservar a memória cultural do país.

Nascido em 1936, em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, descobriu cedo sua vocação artística. Ainda criança, aprendeu a tocar viola e, aos 12 anos, formou com um de seus irmãos a dupla Boy e Formiga, que se apresentava na rádio local. Em 1953, mudou-se para a capital paulista em busca de oportunidades, iniciando uma trajetória que o levaria aos palcos, aos estúdios de gravação e à televisão.
A música como expressão das raízes brasileiras
Como cantor e compositor, Boldrin encontrou na música caipira, nas modas de viola, nas toadas e nas manifestações populares uma linguagem capaz de traduzir sentimentos universais. Suas composições retratavam o cotidiano, os afetos, a saudade e as experiências de um Brasil muitas vezes distante dos grandes centros urbanos.
A dimensão de sua trajetória musical se reflete nos registros de direitos autorais: são mais de 70 obras e 322 fonogramas. Entre as músicas mais executadas estão “Minas Gerais”, “Vide Vida Marvada”, “João Carreiro”, “Chalana”, “Acorda Maria Bonita”, “Cobra Venenosa” e “Vaca Estrela e Boi Fubá”.
A seleção reúne canções que ajudam a contar a história de sua carreira, tanto pela criação autoral quanto pela interpretação de obras que ganharam vida em sua voz. Mais do que números, esses registros representam a presença de Boldrin na memória musical brasileira.
Sua produção também alcançou outros intérpretes, como Maria Bethânia e Pena Branca & Xavantinho. Também participou de projetos com artistas como Renato Teixeira e Almir Sater, ampliando o diálogo entre diferentes gerações e expressões musicais. Em 2022, o grupo Casuarina lançou O Samba Está na Moda, projeto em homenagem a Boldrin, com sua participação.
Um palco para a cultura brasileira
Além da carreira musical, Rolando Boldrin se destacou como ator no teatro, no cinema e na televisão. Mas foi também como apresentador que consolidou um de seus maiores legados: abrir espaço para artistas, compositores e manifestações culturais de diferentes regiões do Brasil.
Na década de 1980, esteve à frente do programa Som Brasil, da TV Globo, levando ao público um repertório que valorizava as tradições musicais brasileiras. Posteriormente, apresentou outros programas dedicados à cultura nacional. Em 2005, iniciou uma nova e marcante etapa com o Sr. Brasil, na TV Cultura. Durante 17 anos, o programa reuniu música, poesia, histórias e encontros artísticos, tornando-se uma importante vitrine para a diversidade cultural do país.
Com seu jeito acolhedor, sua fala característica e seus inesquecíveis causos, Boldrin aproximou o público de artistas consagrados e de talentos que nem sempre encontravam espaço na grande mídia. Seu trabalho contribuiu não apenas para a divulgação da música brasileira, mas também para o reconhecimento de seus criadores e para a preservação de repertórios fundamentais à nossa história.
Celebrar os 90 anos de Rolando Boldrin é reconhecer a contribuição de um artista que dedicou sua vida a valorizar a música, seus criadores e as múltiplas identidades culturais do Brasil. A Abramus celebra a vida e a obra o artista, cuja contribuição permanece como parte fundamental do patrimônio musical e cultural brasileiro.