

A maior associação de música e artes do brasil
Por Daniella Turano
Depois de circular por cerca de 30 países, Lívia Mattos já não escolhe um destino apenas porque surgiu um convite. A sanfoneira, cantora e compositora baiana pesquisa onde vale investir e, neste momento, busca um parceiro local para desenvolver sua presença na França.
“Quero construir uma parceria por lá porque sei que o mercado francês funciona muito com a presença de um intermediário local e acredito que minha música pode encontrar espaço. Com uma rede maior, vou buscando indicações e entendendo onde faz sentido apostar”, conta a artista.
A experiência acumulada ao longo desses anos mudou também a forma como Lívia entende a circulação internacional: não basta chegar a outro país, é preciso construir espaço naquele mercado. Esse trabalho pode começar antes mesmo de comprar uma passagem. Os dados das plataformas ajudam a identificar cidades e países onde a música já encontra algum público. A partir daí, vale mapear artistas de porte e linguagem semelhantes, acompanhar os circuitos em que atuam e até pensar em colaborações antes da viagem. Uma faixa gravada à distância, por exemplo, pode criar uma primeira relação naquele mercado.
No caso de Lívia, essa aproximação já incluiu uma reunião com a Abramus para olhar dados de execução pública, conversar sobre streaming e discutir estratégias de comunicação no exterior.
A música chegou. E os direitos?
Abrir mercado é uma parte da internacionalização. A outra é cuidar dos direitos gerados fora do país. Lívia admite que demorou a perceber essa dimensão. Foi conversando com um músico brasileiro que vive na França que começou a prestar mais atenção ao potencial da arrecadação internacional. Hoje, sabe da importância de comunicar os shows à Abramus, embora a rotina ainda faça algumas informações chegarem com atraso.
Roseany Fagundes, gerente do Internacional-Autoral da Abramus, explica que o processo começa pelo cadastro correto da obra e pela informação de que a apresentação aconteceu. “A gente precisa receber informações como o local do show, o endereço, o setlist e, se possível, o contato do produtor. Com esses dados, conseguimos informar a entidade encarregada dessa gestão naquela região e acompanhar o processo de licenciamento e arrecadação”, diz.
Essa entidade é quem licencia o show e arrecada os direitos de execução pública naquele país. Por meio dos acordos mantidos com a Abramus, os valores destinados aos associados podem então ser enviados ao Brasil.
Roseany explica ainda que o tempo até o pagamento varia, há entidades que fazem remessas a cada três meses, outras duas vezes por ano e algumas apenas anualmente: “Quando recebe esses recursos do exterior, a Abramus realiza a distribuição aos titulares”. Além disso, ela explica ainda que quando uma obra não é identificada corretamente e os valores ficam retidos, a equipe da Abramus cruza informações enviadas pelas entidades estrangeiras para localizar repertórios dos associados, a fim de garantir a correta distribuição.
O show é a parte mais visível, mas não a primeira nem a última. Antes, há pesquisa e relacionamento. Depois, dados e direitos precisam encontrar o caminho de volta.
Fique atento: a matéria completa com Lívia Mattos estará na próxima edição da Revista Abramus!
Arte: Júlia Sousa