Uma voz gostosa, que carrega intensidade e poder: essa é Tali, cantora e compositora que chega marcando seu espaço no Sintonizando desta semana.
Criada em um ambiente onde a música sempre esteve presente, a cantora e compositora busca construir o próprio caminho e se apresenta ao público em uma nova fase. Filha de Deise Cipriano, uma das integrantes do Fat Family, Tali carrega um legado marcante, mas segue construindo a própria trajetória com autonomia.
No single “Inflama”, que abre o projeto Tali Sessions, a artista traz influências que transitam entre o pagode baiano e o R&B para iniciar esse momento com muita identidade.
Vem sintonizar com Tali!
O público conheceu “Inflama”, a primeira faixa do projeto “Tali Sessions”. O que determinou a escolha dessa música como ponto de partida e o que o público pode esperar do restante desse trabalho?
A música “Inflama” nasceu em um dia de estúdio no qual eu queria unir o pagode baiano, esse gênero gostoso para curtir ao R&B, que é a principal marca da minha identidade musical. Assim surgiu a faixa, uma composição que exalta uma mulher de atitude, escorpiana. Tenho muitas amigas com esse perfil — e eu mesma sou assim: prática, intensa, do tipo “8 ou 80”. Se eu quero, quero muito; se não quero, deixo claro. Uma mulher empoderada.
Quis trazer essa canção para abrir a live session, que dá nome ao projeto. O público pode esperar mais cinco faixas autorais e regravações como “Fim de Tarde” e “Madrugada”, que serão lançadas em breve. Uma das novidades é o “Medley Tali”, que homenageia o meu primeiro álbum, Acredito no Amor, promovendo um passeio pela minha história. Há muitas referências envolvidas. Fico feliz porque, hoje, consegui tirar essa ideia do papel e gravar uma live e mais do que isso: consegui fazer um evento através da transmissão. Foi a primeira edição e estamos apenas começando a crescer.
O Fat Family é uma das maiores referências vocais do país. Sendo filha de Deise Cipriano, de que maneira você lida com a responsabilidade de carregar esse legado e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade?
Venho de uma família que realmente marcou uma geração e me sinto honrada em dar continuidade a essa herança. No comecinho, até para entender tudo isso foi um pouco complicado, porque foi um período de pós-luto pela perda da minha mãe. Foi logo após a minha participação no The Voice, há cerca de sete anos, que entendi que queria realmente começar a me envolver na música. Tudo era muito novo e enfrentei alguns desafios, como lidar com haters, enquanto tentava entender o que seria dessa carreira. Eu estava cercada de muitos olhares.
Meu maior desafio foi desvincular a minha imagem solo do Fat Family, mas sem deixar de pertencer ao grupo — afinal, sou parte da família e desse legado. A grande virada de chave aconteceu quando consegui separar a artista individual do grupo enquanto empresas, marcas e carreiras distintas; a partir dali tudo fluiu melhor. Compreendi que tenho a minha própria trajetória e, embora a base familiar continue lá, escolhi focar e zelar pela minha caminhada. Já faz uns cinco anos que sigo esse formato. Não estou mais em turnê com as minhas tias, mas dou total apoio aos projetos delas e recebo o mesmo carinho de volta.
É gratificante ver o público me abraçando por quem eu sou, e não apenas pelo meu histórico familiar. Considero-me privilegiada por ter nascido no meio artístico e por ser filha de quem sou, mas há também o desafio de conquistar a aceitação do público pelo seu próprio esforço. Eu me perguntava: “Como faço para atrair as pessoas para o meu som?”. Hoje, graças a Deus, vejo essa evolução e sinto que tanto eu quanto os fãs conseguimos fazer essa distinção. Tenho o apoio de quem me acompanha desde o The Voice e de uma galera nova que está chegando agora — muitos jovens que conhecem o meu trabalho, mas, por incrível que pareça, não conhecem o Fat Family. Sinto-me honrada em levar essa história adiante, mas agora assinando com o meu nome e vendo as pessoas se identificarem com a Tali artista. Foi um processo árduo, mas que vale a pena ao ver o resultado.
Além de artista, você também está à frente da gestão da própria carreira. Quais são os principais desafios de conciliar as decisões do negócio com o processo criativo?
Sim, eu faço a autogestão da minha carreira e acredito que, atualmente, os artistas precisam assumir as rédeas do próprio negócio. É maravilhoso porque você acompanha tudo de perto e exercita várias facetas: a empresária, a produtora… Claro que conto com o suporte da minha equipe. Essa função de delegar também é importante.
Ultimamente, tenho me dedicado às funções executivas durante os dias de semana. Já nos momentos de subir ao palco, eu me entrego inteiramente à performance como cantora. Estou imersa em todos os processos e sigo aprendendo: faço cursos, estudo e invisto no gerenciamento do negócio. Busco entender cada vez mais de métricas, plataformas e estratégias de distribuição. O artista não pode estagnar na ideia de que “só sabe cantar”. Neste momento, sinto-me cercada de parcerias importantes, tanto com o meu time quanto com novos aliados, como a Villarejo Records e o meu sócio-empresário, Max Viana. Orgulho-me de ver de onde saí e onde estou chegando. Conforme o trabalho cresce, a estrutura empresarial se expande.
Toda essa parte corporativa está diretamente ligada à minha organização criativa. Quando a engrenagem está alinhada, minha mente fica livre e disponível para compor. Por isso, reservo dias específicos para criação, ensaios, prática vocal e aulas de dança. Investir na música exige atenção aos mínimos detalhes. É um processo de alto custo, mas essencial. Quando o resultado aparece, vem a certeza de estar no caminho certo. Não existe uma fórmula pronta para o sucesso; você vai descobrindo o que funciona na própria jornada, e é ótimo vivenciar isso agora.
Além disso, temos a Feita Produções, uma produtora que fundei em parceria com o Victor Federado, que também é artista. Estamos crescendo juntos e administrando nossas carreiras de forma conjunta. Embora tenhamos estilos diferentes, criamos um elo forte entre as marcas Tali e Federado. Estamos expandindo o negócio por esse viés e, embora ainda não estejamos assinando com novos nomes para o catálogo, isso já está nos nossos planos futuros.
Quais são os seus principais rituais de preparação e cuidados com a voz antes de entrar no estúdio ou subir ao palco? E para quem quer desenvolver e aprimorar o canto, qual seria a sua principal dica?
Eu tenho vários rituais. Costumo dizer que o meu show começa muito antes do palco, na rotina diária e nos ensaios. O segredo principal é a repetição exaustiva, para que a execução da música esteja totalmente naturalizada no corpo. Como dizia Michael Jackson: “A repetição te deixa livre”.
Para a saúde vocal, conto com o suporte do meu fonoaudiólogo, o Richard, que transformou a minha voz e proporcionou um salto de qualidade incrível, e também do meu otorrino, o Dr. Reinaldo, que me acompanha há bastante tempo. Graças a eles, aprimoro constantemente a minha técnica. É indispensável manter a disciplina de cuidados, seja nos exercícios diários, no pré-show ou antes de entrar no estúdio. Eu faço meus aquecimentos, gosto de purificar o ambiente com aromatizadores ou incensos, e faço massagens no pescoço e no corpo. Dormir bem e manter a hidratação são essenciais. Minha rotina gira em torno desse zelo.
Como tem sido sua experiência com a Abramus? Sente que seus direitos autorais estão mais protegidos?
Um artista precisa construir elos de confiança, e a minha parceria com a Abramus reflete exatamente isso. Hoje, sinto meus direitos autorais plenamente protegidos e tudo funciona de forma transparente e segura. Sinto que a associação é uma extensão do meu próprio trabalho. Eu já ouvia falar da instituição como compositora e, hoje, vivencio esse suporte na prática. O Vitor Federado também é associado e estamos muito felizes em fazer parte dessa família.
Foto 1: Cássio Andreasi | Retirada do Instagram @talitadeisinha | Fotos 2 e 3: Cedidas pela artista
Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas