Mario Adnet e Chico Adnet lançam Falso Antigo, celebrando o passado da música popular brasileira

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Mario Adnet e Chico Adnet lançam Falso Antigo, celebrando o passado da música popular brasileira

Por Belinha Almendra

Unidos pela primeira vez para compor, Mario Adnet e Chico Adnet acabam de lançar Falso Antigo, álbum de canções que recriam a estética dos tempos da era do rádio, com um toque de contemporaneidade. As nove faixas fazem uma ode bem-humorada e afetiva ao passado da música popular brasileira, com canções que soam como se sempre tivessem existido.

As parcerias refletem a total sintonia entre os irmãos: “O Chico tem esse lado de cronista, mas pensa na música o tempo todo, também. A gente mistura os papéis quando está compondo, não pensa em quem vai fazer isso ou aquilo. É sobretudo uma felicidade, um processo muito divertido”, conta Mario Adnet.

A música atravessa gerações na família Adnet. A mãe, Maria Carmen, tocava piano: além de Mario e Chico, as irmãs Maúcha e Muiza Adnet seguiram a carreira de cantora. Da terceira geração, Joana e Antonia, filhas de Mario, acompanham os passos do pai na música. O talento para as artes também deu frutos na casa de Chico: a filha Luiza é bailarina e coreógrafa, e Marcelo Adnet é um dos maiores expoentes do humor contemporâneo. Como compositor, Marcelo é um dos autores do samba-enredo da Viradouro, campeã do Carnaval de 2026.

Repertório definido, o passo seguinte foi escolher os convidados especialíssimos que participam de várias faixas de Falso Antigo. “A escalação foi cuidadosa, para que tudo combinasse direitinho. Temos as craques Roberta Sá em Falso Baiano e Mônica Salmaso no choro Acende o Lampião; Mosquito canta e se encaixa como uma luva em Samba Réquiem; Pedro Miranda em Fake Falso e Fred Astaire do Samba e Pedro Paulo Malta em Santinha completam a receita com tempero do samba. E ainda Jards Macalé em um dueto com Marcelo Adnet no samba de breque De Aniceto ao Acetato. Foi uma alegria imensa no estúdio, Macalé nos chamava de primos, pois os nossos sobrenomes são parecidos: ele, Anet, nós, Adnet”, lembra Chico.

Donos de trajetórias diferentes na música – Mario é compositor e um dos arranjadores mais prestigiados do Brasil, e Chico, compositor com uma carreira de sucesso em trilhas sonoras e jingles –, os irmãos tinham esse projeto na cabeça havia algum tempo, como conta Chico Adnet: “Nossa primeira parceria foi Fred Astaire do Samba, em 2010, que Mario gravou no mesmo ano em seu álbum O Samba Vai. Nelson Motta, falando do disco, chamou o samba de ‘falso antigo’. Isso ficou na cabeça, e nós começamos a acalentar o desejo de fazer um trabalho juntos, com esse título”.

Em tons de crônica e ironia, as parcerias de Mario e Chico contam histórias, repletas de personagens. No samba de breque De Aniceto ao Acetato, os convidados Marcelo Adnet e Jards Macalé incorporam o estilo malandro de Moreira da Silva, falando da compra e venda de canções, recurso muito comum entre compositores pobres e cantores famosos na era do rádio.

Em Fake Falso, um maxixe à moda do início do século 20, Elon Musk e Lady Gaga aparecem entre críticas à atual política brasileira e seus atores, esquecidos do que antigamente se chamava espírito público e seu significado. O título não poderia ser mais atual.

Falso Baiano brinca com o famoso samba de Geraldo Pereira, de 1944, com a cantora Roberta Sá seguindo a linha dos sambas clássicos que João Gilberto resgatou.

O choro Acende o Lampião tem formação clássica de flauta, violão, pandeiro e cavaquinho e conta mais uma história típica daqueles tempos em que o violão era “coisa de vagabundo”, na interpretação impecável de Mônica Salmaso.

O partideiro e compositor Mosquito participa do Samba Réquiem como se estivesse numa gravação do Trio Surdina (Fafá Lemos, Garoto e Chiquinho do Acordeon), nos anos 1950, só que acompanhado por Marcos Nimrichter (acordeom), Edu Neves (flautas e sax), Rogério Caetano (violão de sete cordas) e Marcus Thadeu (percussão).

O álbum Falso Antigo, lançado pela gravadora Biscoito Fino e já disponível nas plataformas de streaming, conta com um timaço de craques, como Ana Rabello (cavaquinho), Jorge Helder (baixo acústico), Marcelo Martins (sax), Everson Moraes (trombone, bombardino e oficleide) e Aquiles Moraes (trompete). Tendo o bom humor como fio condutor, Falso Antigo é uma deliciosa viagem musical que aposta no antigo, falando de temas que (ainda) estão na ordem do dia.

Foto: Marcelo Corrêa/Retirada do Portal G1

Arte: Júlia Sousa

           

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