

A maior associação de música e artes do brasil
Novo relatório da UNESCO, Intitulado Re|thinking Policies for Creativity – Repensando as Políticas para a Criatividade –, projeta que, até 2028, a expansão da inteligência artificial generativa pode reduzir as receitas globais dos músicos em até 24% e do setor audiovisual em cerca de 21%.
O levantamento analisa os impactos estruturais da transformação digital sobre a cultura e aponta que a rápida disseminação de ferramentas capazes de gerar músicas, roteiros, imagens e vídeos tem alterado profundamente o modelo de produção e circulação de conteúdo. A preocupação central não é apenas tecnológica, mas econômica e regulatória.
Segundo o documento, embora a participação do rendimento digital nos ganhos dos criadores tenha saltado de 17% para 35% desde 2018, essa mudança trouxe também maior instabilidade. O ambiente digital ampliou o alcance das obras, mas intensificou a precarização, a concentração de mercado e a exposição a violações de propriedade intelectual.
Esse cenário, aliado a sistemas de curadoria baseados em algoritmos, dificulta a visibilidade de artistas independentes e reforça desigualdades já existentes — especialmente em países em desenvolvimento.
Outro ponto sensível é o uso de obras protegidas para o treinamento de sistemas de IA, muitas vezes sem autorização ou remuneração adequada aos titulares de direitos. Para a UNESCO, a ausência de marcos regulatórios claros pode aprofundar assimetrias entre grandes empresas de tecnologia e criadores individuais.
Diante de um cenário que coloca em risco a sustentabilidade da criação, a Abramus tem intensificado sua atuação no Congresso Nacional e em debates estratégicos para proteger os direitos autorais.
Recentemente, a associação também assinou, com outras nove entidades do setor, uma notificação às empresas de IA para exigir autorização prévia e remuneração justa pelo uso de obras no treinamento de algoritmos.
Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas