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Homenagem à João Donato

Matéria publicada na Revista ABRAMUS N° 3

 

Homenagem

Próximo de completar 70 e com mais de 40 anos de carreira, João Donato ainda tem muito a dizer. Em shows, ele canta músicas novas, reapresenta clássicos, improvisa e passeia pelo jazz latino.

Quando a ABRAMUS completou 20 anos, Donato foi convidado para fazer o show comemorativo, que teve a participação da
Orquestra Jazz Sinfônica e da cantora Mônica Salmaso. Hoje, próximo de completarmos 25, reiteramos nossa admiração e agradecemos a sua participação nesta ediçao da revista, que marca o início das comemorações.

Na sua opinião, onde se toca boa música brasileira, principalmente nos grandes centros?

Eu acho que em São Paulo. Aqui existe uma grande quantidade de lugares para o músico se apresentar. São muitos grupos, muitos cantores e orquestras se apresentando todos os dias, nos mais variados horários e tipos de espaço. Fora de São Paulo, não me recordo de nenhum outro lugar assim.

Com a pirataria e as novas mídias eletrônicas, o artista que vendia disco perdeu muito mercado. Você acha que hoje o show é a alternativa para o músico brasileiro sobreviver com dignidade?

Não é uma alternativa, é a única saída. Hoje o disco não dá os resultados financeiros necessários, então, para resolver isto o músico
tem que fazer muitos shows. E nisso São Paulo é campeão, tem show todo dia, em todo lugar! É bárbaro!

Em shows não há pagamento de direito autoral para os músicos, só para os autores. Você acha que se os músicos também tivessem uma pequena participação nesses direitos, os autores acabariam recebendo mais?

Acho a idéia muito boa, já que estão juntos trabalhando com a mesma finalidade. Se os músicos tivessem essa participação, eles próprios teriam interesse em informar as músicas do show, pois estariam ganhando, junto com o autor.
Em termos de música, em 2005 o Brasil mandou cerca de US$ 25 milhões para o exterior, enquanto o mundo inteiro, somado, mandou para o Brasil não chegou a US$ 12 milhões. Onde está o erro: no Brasil ou no exterior?

É uma situação fora de controle. O erro está na prestação contas, porque quem presta contas aqui no Brasil tem a palavra final. Se nós não temos o menor controle nem das nossas próprias coisas, que dirá das coisas que envolvem os outros.

A ABRAMUS está abrindo um escritório em Paris para controlar o repertório brasileiro lá fora, senão perderemos a paternidade das nossas obras. Lá eles se apropriam da nossa música e o autor passa a ser quem fez a versão. Não está na hora de a gente colonizar lá fora e deixar de ser eternamente colonizado?

É claro, está na hora de nós ditarmos as regras e parar de concordar com o que eles acham. Não é mais por aí. O certo é o certo, e nós temos que exigir que se cumpra o que é certo.

A música brasileira está crescendo muito lá fora. A terceira música mais tocada no mundo está entre a brasileira e a inglesa. Na sua opinião, quais são os novos nomes que estão surgindo e divulgando a nossa música internacionalmente?

Dos novos, talvez o pessoal da Bahia, os grupos de Axé. Tem também a turma do samba e do chorinho, que têm viajado muito, e a turma da Bossa Nova. Essa então nunca parou de viajar o mundo inteiro mostrando a nossa música, há muito tempo.

Mercados como Rússia, China e Coréia, por exemplo, dão especial atenção à música brasileira e lá a gente não se promove. Você não acha que precisamos divulgar mais e melhor a nossa música lá fora, com o apoio do Ministério da Cultura e do ministro Gil, que conhece tão bem o assunto?

Seria muito importante que isto acontecesse para que nós músicos pudéssemos viajar e apresentar a música brasileira pelo mundo, com as embaixadas se empenhando em criar palcos brasileiros nos diferentes países. A nossa cultura e a nossa música atravessam fronteiras e em geral agradam a maioria, mundialmente falando.

A estrutura da Bossa Nova foi uma novidade que tomou conta do mundo, até hoje. Esse mercado continua cativo para esse tipo de música?

Olha, eu tenho a impressão que hoje os brasileiros gostam mais de música brasileira do que gostavam, eles eram muito mais roqueiros. Acho que hoje eles sentem mais orgulho de serem brasileiros, têm mais auto-estima, e isso é muito mais importante.

Você acha que a diversidade cultural do Brasil é o que diferencia a música brasileira das outras?

Acho que é porque a história que ela conta é bonita, de um povo bonito, de influências e descendências bonitas e variadas. A mistura de pretos, brancos, amarelos, azuis, índios dá um povo bonito, que é o brasileiro, um dos mais bonitos do mundo.

A qualidade do piano de Cuba é especial, em qualquer barzinho você escuta excelentes pianistas Como veio a influência cubana na sua música?

Veio da convivência que eu tive com eles nos Estados Unidos, em Nova York e Los Angeles. Lá, a cultura e a presença deles são muito fortes nos bares, bailes, festas, orquestras, enfim, em todos os lugares. E todos os músicos de jazz se voltavam para essas orquestras para arrumar trabalho, e era lá que a gente conhecia todo mundo. Este estilo de música estava na moda naquele tempo, era o que tocava todo dia, e eu acabei aprendendo. Sentei com eles para aprender como se fazia o negócio, e acabei gostando.

Depois de tantos anos fazendo música, você continua um passo à frente, convidando artistas jovens para gravar ou tocar com você. Você sempre teve essa idéia de incentivar os jovens?

A gente está sempre procurando alguma coisa. Os jovens procurando experiência nos antigos e os antigos procurando alguma novidade nos jovens. Acho uma troca normal.

Nestes três shows Donatural você tocou com seis artistas, alguns consagrados, outros novos. Como foi essa experiência?

Eu gostei muito da novidade de tocar com o Chico Pinheiro, foi uma grata surpresa, ele é muito bom. O Max de Castro eu já conhecia, gosto muito, o Johnny Alf, nem é preciso comentar. O Moreno Veloso eu já conhecia de antes, já gravei com ele; o Barreto e o Davi Moraes, filho do Moraes Moreira, também são muito bons.

A música popular brasileira ainda é a melhor do mundo?

Ela está ficando boa outra vez, voltando ao que era antes, passou aquele modismo estrangeiro. Com certeza é a melhor do mundo.

Você tem gravado muita coisa nova com gente nova. Você também tem feito coisa nova com gente antiga?

Também, claro, fiz agora um samba com o Martinho da Vila chamado Suco de Maracujá. Mas eu acho que não existe um critério para fazer música. É sempre um acontecimento, um acaso, um encontro.

Que trabalhos novos você tem agendado?

Eu vou gravar um CD com um cantor e compositor francês, em Salvador. É um disco francês, com produção do Jacques Morelenbaum.

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