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Sintonizando com Nicco Andrade

1- Nicco, você começou na música como cantor e depois também passou a compor. Conta um pouco sobre o início da sua carreira e sua trajetória na música.

Este ano completo 25 anos de carreira! Tudo começou despretensiosamente. Um amigo tinha um grupo de pagode e na época eu fui à casa dele pra ver o seu cavaquinho. Ele gostou da maneira que eu cantava e me convidou para entrar no grupo. Foi uma surpresa e uma grande felicidade. E assim começou minha história como cantor.

Naquela época, os CD’s tinham encarte com as letras e informações completas do álbum. Eu sempre fui curioso e gostava de ler quem eram os músicos, compositores, arranjadores e produtores que fizeram parte da gravação, e achava incrível. E foi essa minha curiosidade que me fez conhecer e admirar o trabalho de Altay Veloso, que foi minha grande referência e inspiração para começar a compor. O Altay escreve maravilhosamente bem, é um grande poeta. Ele tem sutileza e elegância incomparáveis para compor. 

Eu desejava compor como o Altay, mas no início eu não tinha muita noção de harmonia porque eu não tocava nenhum instrumento e era tudo muito novo pra mim. Só que mesmo assim a composição é algo muito divino na minha vida. Já fiz várias músicas sem nem encostar em um instrumento. Eu começo a escrever algo e a melodia já vem na minha mente. A música simplesmente vai fluindo. 

2- E como foi compor as suas primeiras músicas?

Minha primeira música gravada foi “Nossa Intimidade”. É uma música que tem como grande referência o Altay Veloso. Tem um trecho da letra que diz: “o nosso tesão é mais forte do que um ciclone à beira do mar”. Eu queria trazer a poesia inspirada no Altay.

Essa letra foi gravada pelo Grupo Kiloucura, logo quando escrevi. Um tempo depois, conheci o Cris Oliveira, do Sorriso Maroto, num jogo de futebol. Desse encontro nasceu uma amizade. Na época, eu já tinha várias músicas prontas e o Sorriso estava em processo de gravação do DVD de 15 anos do grupo. Cris me fez o convite para mandar algumas composições pra ele e eu mandei tudo o que tinha, entre elas “Se eu te pego, te envergo”, mas eu não imaginava que ela poderia ser gravada. O Sorriso Maroto sempre foi um grupo de canções muito românticas. Alguns dias depois o  Bruno Cardoso me ligou cantando o início da música e eu aproveitei pra falar sobre a canção “Assim você mata o papai”, que eu tinha feito especialmente para o Sorriso. Acabou que a música foi escolhida para ser o single do DVD de 15 anos do Sorriso Maroto. Receber a notícia foi uma felicidade imensa! Contei pra todo mundo, meus pais, amigos, foi incrível.

Em menos de um mês, a música se tornou top 1 em todas as rádios do Brasil. Depois virou trilha sonora da novela Avenida Brasil, primeiro lugar no Caldeirão do Luciano Hulk, primeiro lugar de vendas no iTunes e o Sorriso Maroto entrou para o top 5 da Billboard! Essa música me trouxe muitas alegrias, mudou a minha vida.

3- Emplacar uma música de sucesso traz um receio ou uma cobrança para as próximas composições?

“Assim você mata o papai” é uma música chiclete, mas eu tenho diversas outras canções. Eu sou bem eclético, componho música romântica, sertaneja, gospel, forró, funk… e assim vai. Acredito que seja um dom que Deus me deu. Por isso, eu nunca tive essa preocupação. Quando a gente se dedica e faz com amor as coisas acontecem. Eu deixo as coisas fluírem! A minha única preocupação é não parar.

Muita gente achou que eu seria compositor de uma música só. “Se eu te pego, te envergo” virou a segunda música de trabalho do DVD de 15 anos do Sorriso e em seguida “Tá bom, aham”, composição minha com meu parceiro Cláudio Novarte, foi outra música gravada e trabalhada nível Brasil. Depois veio “Fofinha delícia”, que foi um pedido da Globo para a novela Amor à Vida, que tive o prazer de compor e virar tema da Perséfone, personagem da atriz Fabiana Karla.

4- Adotar essa postura de não se cobrar ajuda a ter mais liberdade criativa?

Eu não sou contra a pessoa compor todo dia ou a todo momento, mas comigo esse formato não funciona. Eu não me cobro tanto ao ponto de acordar e já precisar compor algo, as letras vão fluindo na minha mente e estar sempre antenado contribui muito pra isso. 
Estou ligado em tudo o que está acontecendo, sempre pegando alguma palavra-chave que eu sei que pode virar uma composição. Às vezes aqui no nosso bate-papo alguma palavra pode me chamar atenção e isso vai me abrir a mente pra eu desenvolver algo. 
A única exceção é quando me pedem música por encomenda, por exemplo, para novelas. Tenho oito trilhas sonoras em novelas e todas foram selecionadas por envio de composição para análise. É um processo de se reinventar para atender a demanda do projeto. Um desafio que eu amo.

5- Quais são seus projetos atuais e futuros? O que o público pode esperar?

Pra mim, o céu é o primeiro degrau e limite não existe. Eu sempre sonho grande. Meu próximo trabalho, que será lançado em julho deste ano, é uma session com alguns dos meus maiores sucessos e regravações de sucessos de outros artistas. Nos próximos anos pretendo gravar outros projetos com mais músicas autorais e regravações em versão pagode de músicas de outros gêneros.

6- Como você enxerga o apoio da Abramus em relação ao seu trabalho como compositor?

Estou na Abramus há 22 anos e acho um trabalho maravilhoso. A maneira que vocês lidam diretamente com o compositor e a proteção ao direito autoral. Vocês fazem as pessoas saberem que por trás de um single de sucesso existe um grande compositor. Muitas pessoas que não conhecem o processo acham que todas as músicas foram feitas pelos intérpretes. É importante saber que existem compositores por trás daquela obra e que também fazem parte daquele trabalho. A Abramus cuida muito bem do compositor, dos músicos, produtores e valoriza toda a classe artística. 
Sou grato por todo o carinho, atenção e paciência que sempre recebi da associação.

Entrevista: Lorena Storani

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