Na Batida, na Rima, no Flow

Faça parte da maior associação de música e artes do brasil

ASSOCIE-SE

Faça parte da maior associação de música e artes do brasil


ASSOCIE-SE PESQUISA DE OBRAS CADASTRO DE OBRAS ISRC
VOLTAR

Na Batida, na Rima, no Flow

Foto: Adobe Stock.

Publicado em 06/07/2022.

Uma viagem pela história do Rap e suas transformações que o levaram a ser um dos ritmos que mais cresce dentro e fora do país.

Hoje é dia de visitar a história do Rap! Então vamos começar pelo nome. Nada mais é que uma simples sigla para Rythm And Poetry (ritmo e poesia), um nome mais que adequado para o que se propõe o estilo.  

Diferente do que muitos pensam sobre sua origem, o estilo nasceu não nos Estados Unidos, mas sim na Jamaica, nos anos de 1960. Seu caráter periférico o levou para os bairros pobres de Nova Iorque, no começo da década de 1970, onde os jovens de origens negra e espanhola, em busca de uma sonoridade nova, deram um significativo impulso ao movimento. 

Por definição o Rap geralmente é cantado e tocado por uma dupla composta por um DJ (disc-jóquei), que fica responsável pelos efeitos sonoros e mixagens, e por MCs que se responsabilizam pela letra cantada. Já quando ele possui uma melodia mais clara e envolvente, ganha o nome de hip hop.

É um estilo que tem uma batida rápida e acelerada e a letra vem em forma de discurso, muita informação e pouca melodia. Em geral as letras falam das dificuldades da vida dos habitantes de bairros pobres das grandes cidades, incluindo as gírias das gangues destes bairros nas letras das músicas. O lado sonoro é acrescido de danças com movimentos rápidos e malabarismos corporais. O break, por exemplo, é um tipo de dança relacionada ao rap

Após uma década de crescimento e descobertas, no começo dos anos 80, os jovens, cansados da disco music,  começaram a mixar suas próprias músicas, e criar sobre elas, arranjos específicos. É considerado o marco inicial do movimento rap norte-americano, o lançamento do disco Rapper’s Delight, do grupo Sugarhill Gang, que assim como outros vários nomes que se destacaram desde então, faziam uso da popular técnica de scratch (som provocado pelo atrito da agulha do toca-discos  no disco de vinil), lançada pelo rapper Graand MasterFlash e amplamente aplicada por artistas como: Ice Cube, Ice T, Run DMC, Public Enemy, Beastie Boys, Tupac Shakur, Salt’N’Pepa, Queen Latifah, Eminem e Notorious.

Foi nessa década de grande popularização que o rap começou a se mesclar com outros estilos e ganhar subgêneros como: o acid jazz, o raggamuffin (mistura com o reggae) e o dance rap. Com letras marcadas pela violência das ruas e dos guetos, surge também o gangsta rap, representado por Snoop Doggy Dogg, LL Cool J,  Sean Puffy Combs, Cypress Hill, Coolio entre outros.

Como é comum encontrar mensagens de cunho político e social, denunciando as injustiças e as dificuldades das populações menos favorecidas da sociedade, a mensagem de protesto caiu como uma luva para a sociedade brasileira do final dos anos 80, que ansiava pela redemocratização e o fim da ditadura militar. Por isso, em 1986, na cidade de São Paulo, começaram os primeiros shows de rap no país. Porém, os eventos apresentados no Teatro Mambembe pelo DJ Theo Werneck não eram muito bem aceitos no geral, pelo estilo neste momento ser visto como algo violento e tipicamente de periferia.

Só que o rap é resistência e, poucos anos depois, ele começa a ganhar as rádios e a atenção da indústria fonográfica, que lançava assim os primeiros rappers de sucesso do Brasil: Thayde e DJ Hum. A dupla de pioneiros inspirou outros artistas a se enveredar pelos caminhos do Rap e logo vimos aparecer nomes como: Racionais MCs, Pavilhão 9, Detentos do Rap, Câmbio Negro, Xis & Dentinho, Planet Hemp, Negra Li e Gabriel, O Pensador

Assim como nos EUA, aqui o estilo também se misturou com outros e ganhamos, por exemplo, o mangue beat, muito presente na música de Chico Science & Nação Zumbi

Após vencer diversas barreiras de preconceito e discriminação, o rap continuou seu processo de constante evolução e transformação. Hoje, um de seus subgêneros domina boa parte das paradas. Batizado de Trap, o estilo é marcado pelo uso estilizado do autotune (a famosa voz de robozinho), graves fortes (geralmente do 808, uma espécie de bateria eletrônica) e a incorporação de instrumentos de sopro e de corda, sintetizadores e elementos da música eletrônica. No caso do Brasil, ele ganha ainda mais uma camada ao se misturar com o funk.

Hits atuais como  “Vampiro”, parceria entre os rappers Matuê, WIU e Teto, “Fim de Semana no Rio” e “Malvadão 3”, de Teto e Xamã, ocupam altas posições entre as mais tocadas hoje no país e seguem uma filas crescente de outros sucessos do gênero no passado recente. 

Desenvolvido ainda na década de 90 nas periferias de Atlanta, nos Estados Unidos, o subgênero superou o estigma de ser voltado apenas à crítica social e vida em periferia, se permitindo abordar outras temáticas, inclusive de forma mais leve. Essa movimentação ajudou a alcançar um público mais amplo e variado e levar o estilo ao sucesso atual.  

Muito mais voltado para a alegria, superação e também a ostentação de quem não tinha nada, o trap evoca um clima de festa, e por isso conquista novos espaços de forma muito mais rápida.

A história já é um bocado longa, mas certamente está apenas começando. Tudo leva a crer que os anos de ouro do rap, trap e seus derivados ainda estão por vir. Vamos acompanhar e curtir a viagem.

SIGA-NOS NAS
REDES SOCIAIS

ASSINE NOSSA NEWSLETTER