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Terapia dos Isolados

Publicado em 09/09/2021

A mistura relaxante de hip-hop, jazz e música eletrônica do Lo-fi atinge um novo público de pessoas isoladas pela pandemia e ajuda a embalar os home-offices, aliviando a pressão e a solidão.

Já são mais de 2 anos desde que falamos do Lo-Fi como um estilo de música que começava a se popularizar entre os millenials (veja tudo aqui). De lá para cá muita coisa aconteceu, inclusive uma pandemia global. O seu mercado, que já aumentava consistentemente, recebeu uma nova leva grande de interessados por formas de lidar com o estresse desses tempos difíceis e as pressões do home office imposto. 

Com fortes influências do jazz e do soul, em 2000 começou a nascer o lo-fi que conhecemos, nas mãos dos “padrinhos” do estilo, o rapper americano J Dilla e o produtor Nujabes, do Japão. Fundamentado em ser um estilo independente, que prega a colaboração entre artistas e a aceitação de outras influências, com suas melodias relaxantes, arranjos mais discretos, um ritmo lento e quase total ausência de letra, o Lo-Fi encontrou seu espaço na internet, especialmente no YouTube e serviços de streaming.

No gigante dos vídeos são incontáveis canais e playlist como a criada pelo astro Will Smith, que buscava ajudar seus fãs no período de isolamento, e conta com mais de 20 milhões de views. Os canais profissionais de Lo-fi, como o Lofi Girl (Antigo Chilled Cow com 9 milhões de inscritos), detém as transmissões ao vivo mais longevas da plataforma, com dezenas de milhares de horas e milhões de visualizações de pessoas em busca, além da música relaxante, de alguma interação, que encontram no agitado e internacional chat da transmissão (fora a troca profissional e musical envolvida, é também uma grande terapia em grupo). Além de criar uma marca visual identificável (menina de fones estudando e ouvindo lo-fi) que conta com suas adaptações locais (no Brasil ela é negra e tem um vira-lata caramelo!) e já é estampada em todo tipo de merchandising, como prova da sua entrada oficial na cultura pop, o canal também movimenta o mercado dos produtores através do seu selo próprio (a Lofi Records) e faz a ponte entre ilustradores e seus artistas para as capas de cada single. 

Nas plataformas de streaming, se destaca o Spotify, que detém cerca de 36% do mercado e é a principal fonte de renda de boa parte dos artistas do gênero. Emplacar um single em uma das playlists próprias da plataforma é quase como ter seu clipe na MTV dos anos 90, uma enorme vitrine de exposição. Mesmo não sendo a melhor “pagadora”, estima-se que os royalties distribuídos pela plataforma rendam algo em torno de 26 mil reais por cada milhão de plays da música. Como o cenário é de artistas independentes, que fazem todo o processo sozinhos e não precisam distribuir os lucros, essa relação tem permitido a perpetuação e o crescimento de carreiras no gênero.

É o caso do catarinense Nery Bauer, de 50 anos, que compõe Lo-Fi desde 2018 sob os alter egos Jaztorius e Ray Ben Rue. Ele compõe, produz, cria a arte de cada single, faz a mixagem, a masterização, conta com a ajuda da esposa no marketing e tem uma distribuidora que leva seu trabalho para as plataformas. Também no cenário nacional podemos destacar a Tangerina Music, selo lançado há dois anos por Fábio Bittencourt (FaOut) que busca divulgar os artistas nacionais e produziu esse ano o álbum Chill Brazilian Storm, o primeiro a reunir os nossos artistas com o objetivo de compor lo-fi com toques de samba e bossa nova, dando uma cara única ao estilo (veja aqui).

Sob influência nacional ou não, o fato é que o Lo-fi têm conquistado um público mais amplo que os millennials, tanto mais velho quanto mais jovem. De forma pouco invasiva, as sessões de musicoterapia, com acompanhamento profissional ou não, ajudam a desacelerar o cérebro tão bombardeado por estímulos quase ininterruptos. Vamos combinar, que toda ajuda é bem vinda neste momento. Esse texto saiu muito mais leve, com bastante Lo-fi de fundo. Já experimentou?

Fonte: Super Interessante

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