Dom, persistência e criatividade: a equação de sucesso de Vine Show

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Dom, persistência e criatividade: a equação de sucesso de Vine Show

Publicado em 23/06/2021

Um profissional da música que acredita no poder do conhecimento e do estudo para conquistar o mercado. Um autor de grandes sucessos que coloca sua experiência pessoal a serviço dos autores, dando o caminho das pedras para que tenham total controle sobre suas obras. O compositor Vine Show é tudo isso e muito mais, como revela em entrevista exclusiva à Abramus. Para Vine, a equação do sucesso reúne três fatores: o dom, a persistência e a criatividade. Uma matemática poderosa que pode ter como resultado uma carreira repleta de sucessos.

Você começou a cantar ainda garoto, aos 12 anos de idade. O que você ouvia nessa idade, e o que o levou a comprar uma passagem só de ida para o planeta música?

Sempre gostei muito de ouvir Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, essa turma da MPB. Ouvia muito forró, também: Calcinha Preta, Limão com Mel, Mastruz com Leite, Cavalo de Pau. A música sempre esteve muito presente desde criança, minhas brincadeiras sempre tinham músicas. Eu sempre brincava de palco, meus carrinhos viravam trio elétricos, carros de som. Eu não me lembro de nada na minha infância que não tivesse música, tudo era baseado em música. Quando criança montei um grupo na cidade e tocávamos em bares e em grupos de jovens na Igreja Católica.

Na sua passagem de cantor para compositor, você formou um grupo de criadores chamado Seu Hit, que emplacou vários sucessos. O que dá mais emoção: se apresentar ao vivo para milhares de pessoas ou ouvir uma música sua ser cantada por grandes intérpretes?

Na verdade, o grupo Seu Hit não é uma criação minha, mas uma criação em conjunto com Vinicius Poeta, Junior Gomes e Benício Neto. Em seguida o Renno Poeta se juntou de forma incrível ao grupo. São duas emoções diferentes: ter a música cantada por alguém é sim uma sensação extraordinária, e estar no palco também é. O que mais me distancia do palco é a estrada, a logística, o dia a dia artístico, não sei se quero viver a loucura da estrada de novo.

Em que momento você percebeu que o mercado musical brasileiro precisava de um especialista dedicado à profissionalização de seus autores? Como se deu a sua formação?

Foi quando precisamos de representação a favor dos direitos autorais e de profissionais da composição instruídos, que entendessem do seu negócio e do seu trabalho.  Porque na visão geral, música não é trabalho, e há quem ache que composição é sorte ou uma força do além, e isso é mentira. Existe uma dedicação enorme, uma carga horária exaustiva de tentativa e erro, todos os dias. Quando percebi que a nossa classe estava abandonada por nós mesmos, comecei a compartilhar o meu conhecimento de forma gratuita em minhas redes. Para os que desejam ir além, se aperfeiçoar ainda mais, existem outros formatos pagos.

Todos os seus treinamentos potencializam uma área diferente, com o intuito de identificar pontos que podem ser melhorados para se obter maior assertividade autoral e artística.  O talento para criar é natural ou ele pode ser desenvolvido através do treinamento?

O treinamento acopla experiência e muitas ferramentas que potencializam o autor como pessoa e sua música como produto mercadológico. O treinamento vai de inteligência emocional a partes práticas do desenvolvimento de músicas comerciais, até estratégias de abordagens e negociações de músicas. Também abordo o processo burocrático, passando por documentação, associações, ECAD, etc. Eu não ensino a compor, mas acelero o resultado de quem já sabe e quer obter melhores resultados.

Há quem componha no violão, outros no piano, há até que componha sem tocar um instrumento, só através da melodia. Você acha que a formação musical é determinante para o sucesso de um autor?

Não acho que seja determinante. Eu classifico três fatores que são importantes para o sucesso de um compositor. No meu treinamento, há um cálculo que desenvolvi para trazer ainda mais clareza sobre esses fatores e os pontos que os compositores precisam focar para obter resultados mais consistentes. Os fatores são: dom, persistência e criatividade. Não acredito que alguém que não tenha habilidade natural para desenvolver uma determinada função consiga ter uma excelente performance nessa atividade. O mesmo pensamento eu estendo para a composição. Fazer uma música não é difícil, agora, fazer uma música que 200 milhões de pessoas escutem mais de 5 ou 6 vezes ao mesmo tempo, isso sim, é o grande desafio. Não acredito que uma pessoa que venha do nada consiga atingir esse patamar sem esforço, determinação e estudo. Alcançar o tão sonhado hit não é sorte, é muita competência, prática, consciência de mercado.  E, acima de tudo, humildade para reconhecer que se ainda não está do jeito que você quer, ainda há muitas coisas para aprender. Também não acredito que alguém sem persistência consiga alcançar um resultado acima da média. E se a música não for uma música inovadora, com ideias inéditas, com melodia e letras atuais, que tragam novidade e muita criatividade, talvez não consiga se destacar como as que estão tocando no momento. Muitas pessoas falam que a música de hoje é ruim, mas um dia falaram isso da música do Roberto Carlos, que mandava todo mundo ir pro inferno em 1965. Hoje ele é o Rei…

Um dos pilares de sua técnica reforça a importância do equilíbrio em todas as áreas da vida. As mídias digitais, que hoje são uma importante ferramenta para qualquer artista, ajudam ou atrapalham nesse equilíbrio?

O equilíbrio começa com o reconhecimento do desequilíbrio. As pessoas esquecem de olhar pra dentro de si mesmas, por medo ou por falta de conhecimento. E querem que as outras pessoas ajam como elas acham que é o certo. Terceirizar um comportamento, uma culpa, um medo, é muito fácil: apontar  para outras pessoas é muito fácil, difícil é olhar para si, se conhecer, reconhecer que tem que mudar, usar ferramentas, estudos, livros que ajudem nessa mudança. Aguentar as dores da mudança para depois ser a mudança do lado de fora, também. Mídias digitais, como a pergunta diz, são ferramentas, e ferramentas a gente usa quando há necessidade. Então, se não tivermos consciência e auto conhecimento, continuaremos usando essas mídias de forma negativa: por mais que seja engraçado, só quem se fere é quem atira.

O que você recomendaria para um jovem ou uma jovem artista cujo sonho é viver de música? Acredite mais do que todo mundo em você e no seu talento, porque ninguém, além de você, pode atrapalhar seu sonho.

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