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Ricardo Bacelar

Publicado em 12/05/2021

Músico e compositor por vocação, Ricardo Bacelar alia este seu talento a outro dom, que é o de trabalhar pela música e pelas artes.  Defensor da arte e da educação como elementos transformadores do ser humano, é o atual presidente da Comissão Nacional para a Cultura e Arte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).  Sua atuação é pautada na atenção e respeito que a cultura deve ter para o desenvolvimento do país. 

Na música, sua trajetória começa nos anos 80, quando integrou o grupo carioca Hanoi Hanoi, de muito sucesso na época. Lançou cinco álbuns solo e gravou com grandes nomes da música, como Luiz Melodia, Lulu Santos, Belchior e outros. Esteve entre os artistas mais executados nas rádios de jazz dos Estados Unidos e já fez shows no Japão e Europa. Criou seu próprio selo Jasmin Music, que conta com um moderno estúdio de gravação que é referência na América Latina pela tecnologia, equipamentos e acústica.

Agora, no último dia 30, lançou o single Vila dos Pássaros, que será parte integrante do novo álbum Paracosmo

Nesta entrevista Ricardo conta sobre como é o seu trabalho como Presidente na Comissão de Cultura e Arte OAB Nacional, sobre o espaço do Jazz no Brasil e no mundo, sobre seus trabalhos, música, carreira e muito mais. Vale a pena conferir 


Como é o seu processo de criação?

Eu gosto de fazer música de uma forma muito natural. Às vezes eu vou anotando umas ideias, às vezes ela sai pronta. Começo a tocar e vai fluindo. Acho que esse processo de criação tem muita relação com o seu emocional e eu aproveito muito os primeiros minutos que eu sento, porque acho que são os mais valiosos em termos de material que você pode extrair. Eu na pandemia estou fazendo muita música. Estou lançando um single e o álbum que chama Paracosmo sai no final de maio. São 7 músicas inéditas e já estou preparando outro disco. Estou inaugurando meu selo, que chama Jasmin Music, que vou lançar tanto os meus trabalhos solo, quanto com outras pessoas que pretendo gravar. Abri também um estúdio de gravação, muito importante em termos de tecnologia e equipamentos.  E pretendo montar um acervo, um catálogo de composições e fonogramas para poder desenvolver durante os anos.  

 Quais suas influências e inspirações?

Minhas influências são as mais variadas. Música erudita, o jazz, música brasileira. Temos aqui no Brasil um arcabouço muito rico de manifestações culturais. E eu me inspiro não só na música, mas na literatura, nas artes plásticas, nos outros segmentos de expressões artísticas. Porque nestas linguagens a gente consegue captar o espírito brasileiro. Me inspiro em muita coisa, nas coisas que eu sinto, que eu vivo. A música é um retrato da nossa própria vida. A gente faz um retrato daquilo que a gente vive e viveu. E a gente coloca para fora através da música. Eu me abracei muito com a música na época da pandemia porque é a forma de você botar para fora as angústias, os medos, as frustrações num período difícil. Então a música para mim sempre salva, sempre me ajuda muito nessas épocas difíceis da vida, a gente se abraça com a música e é muito confortante.

Foto: Vinícius Gifonni

Como é para você ter seu trabalho reconhecido internacionalmente?

Uma coisa que me deixou muito feliz é que nos Estados Unidos minha música e meus discos tocam muito no rádio. Eu consegui nesse meu último disco ficar entre os 50 mais tocados durante muito tempo nas rádios de jazz. E isso foi muito gratificante, porque para mim é um reconhecimento da qualidade do trabalho tocar em rádios de jazz americanas onde você tem o mundo inteiro te escutando.  E também no Japão, que é onde eu trabalho mais. Eu foco muito no Japão, as pessoas gostam muito da minha música lá. Já estive tocando lá, fiz shows em Tóquio. Eu trabalho mais no Brasil, Estados Unidos e Japão. 

Seu último álbum “Ricardo Bacelar – Ao Vivo no Rio” (2020), ficou entre os 50 discos mais executados nas rádios de jazz norte-americanas, segundo o ranking do Jazz Chart. Como você analisa o espaço do jazz no Brasil?

O espaço do jazz no Brasil é muito pequeno porque hoje a gente vive uma época em que estamos reduzidos a dois ou três estilos de música. Então a gente sofre um pouco no Brasil. Uma coisa que me preocupa é que o jazz é uma linguagem e, isso está acontecendo no mundo inteiro, o jazz vem diminuindo de tamanho. A música é uma língua, você para de falar aquela língua, ela vai morrendo, diminuindo. A gente vê isso também nos Estados Unidos, hoje o público escuta menos jazz. Infelizmente está diminuindo, mas o jazz sempre vai existir porque ele vai além de um simples gênero, é um estado de espírito. Nele, você pode fazer uma improvisação, que é tudo; um solo, que é como uma fala que o músico faz. Por exemplo, tem um tema e tem uma hora que você abre este tema e passa para os músicos, e cada um vai fazer um discurso ali. O jazz é calcado muito em cima da improvisação, do momento. É uma música muito quente, porque tem muito momento. E aí você consegue perceber nas gravações a dinâmica, as sutilezas. 

Você lançou seu novo single “Vila dos Pássaros”. Você pretende lançar um álbum com mais canções?

 O single saiu no dia 30 nas plataformas digitais e YouTube. O álbum chamado Paracosmo é meu com Cainã Cavalcante, violonista brasileiro muito talentoso, e sai no final de maio. Paracosmo é como se fosse uma realidade paralela, uma realidade virtual, um mundo imaginário. Eu tinha acabado de montar o estúdio e o Cainã veio aqui em casa, somos amigos, mas não tínhamos tocado juntos. Aí tocamos rapidamente e gestamos 7 músicas novas e fizemos esse álbum. Toquei piano e as percussões e teclados. Cainã tocou violão e os baixos. Fizemos o disco só nós dois por conta da contaminação da pandemia para ninguém se infectar, nós dois de máscara direitinho. E estamos lançando, são 7 músicas inéditas e será lançado no Brasil, Estados Unidos e Japão.

Conte-nos sobre seu trabalho na Presidência da Comissão de Cultura e Arte OAB Nacional?

É um trabalho muito extenso. A gente cobre o Brasil inteiro. E estamos vivendo um desmonte na indústria cultural brasileira, infelizmente. E é uma pena porque a importância da cultura para o desenvolvimento é muito grande. É através da cultura, das expressões mais singelas, da música, das artes plásticas, da culinária, da moda, enfim, tudo que é considerado cultura, traz esses elementos, estes axiomas que fazem parte da teia de significados da cultura brasileira. E estes significados é que nos fazem ter um sentimento de pertencimento. Quando a gente entra em contato com esta cultura brasileira, sentimos que pertencemos àquele local. Este sentimento de pertencimento é muito importante para que a gente tenha um desenvolvimento saudável, que a gente tenha uma identidade, conheça o nosso passado e nosso futuro também.

Foto: Bia Bley

Como você concilia seu trabalho como músico, advogado e como Presidente da Comissão de Cultura e Arte da OAB Nacional?

R: Eu aprendi a conciliar, porque a questão do tempo a gente administra. Mas eu aprendi uma coisa na minha vida que a gente tem que vestir a roupa na hora certa. Quando eu estou falando como músico, estou ali como músico. Quando estou falando como advogado, ou presidente da comissão, eu visto outra roupa, são personagens diferentes. Eu ainda sou cônsul da Bélgica, sou honorário da Bélgica no Brasil e represento três estados aqui, o Ceará, o Piauí e o Maranhão. Então tem horas que falo como cônsul, horas como músico. Estou aqui fazendo entrevista como músico. Mas você não pode misturar os papéis, quando você mistura, não dá certo. Eu aprendi isso com Fausto Nilo, que é um grande amigo, arquiteto e autor também, letrista, tem muitos sucessos e parceiro de muitas pessoas. O tempo eu corro muito para dar tempo de fazer minhas coisas porque eu tenho uma vida muito ativa, eu gosto muito de trabalhar. Tem horas que estou advogando, outras no meu estúdio tocando, depois resolvendo alguma coisa no consulado. É uma vida corrida, mas eu me divirto porque gosto muito de trabalhar. Você tem que ter organização e foco para você fazer as coisas que precisa fazer. 

Você atuou como Presidente da Comissão Nacional de Propriedade Intelectual do Conselho Federal da OAB e Presidente da Comissão de Direitos Culturais da OAB CE. Como foi sua atuação? 

R: Na OAB minha experiência foi muito longa, estou desde 2000. Já atuei como Conselheiro Estadual, como diretor, fui vice-presidente da minha seccional, do Ceará, assumi a presidência algumas vezes, fui conselheiro federal da OAB, presidi a Comissão de Propriedade Intelectual, tratando também de Direitos Autorais. Presidi a Comissão de Arte e Cultura, então é um trabalho que você exerce que traz muita experiência. Primeiro, porque você lida com temas dos mais variados do Direito e lhe dá uma experiência prática muito boa. A OAB é uma instituição muito importante na sociedade civil. No Conselho Federal nós nos insurgimos  e entramos com ação de inconstitucionalidade contra aquela questão dos hotéis não pagarem Ecad, que aconteceu ano passado.  E gente atua em outros segmentos da cultura, não só da música, mas em outras. Agora saiu uma manifestação sobre a taxação dos livros, o governo está querendo majorar o imposto do livro, os impostos federais. E é uma luta grande.

Foto: Davi Távora

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