Um bate-papo com Frejat sobre o novo disco.

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Um bate-papo com Frejat sobre o novo disco.

Por Belinha Almendra

Foto: Leo Aversa

Publicado em 03/09/2020

Referência do rock nacional, prestes a cravar quatro décadas de trajetória, Roberto Frejat acaba de lançar um novo álbum. “Ao redor do precipício” é o primeiro solo de Frejat desde “Intimidade Entre Estranhos”, de 2008, e marca o retorno do músico ao formato de álbum completo, com 13 canções, já que nos últimos anos ele vinha lançando singles nas plataformas digitais.

O álbum levou tempo para ser produzido e para tanto Frejat convidou três produtores, formando assim um quarteto ao lado de Kassin, Humberto Barros e Maurício Negão. Com um extenso time de participações, entre companheiros de geração e novos colaboradores, “Ao redor do precipício” trouxe o desafio de reunir muitas ideias sem perder o foco principal que marca a obra de Frejat: as canções e suas histórias.

Ainda sem saber quando a turnê do novo álbum poderá ganhar a estrada, Roberto Frejat conversou com a Revista Abramus sobre o novo projeto e o futuro da música no ambiente digital.

Foto: Leo Aversa

Seu novo trabalho foi lançado em plena pandemia, momento no qual a palavra reinvenção é o novo mantra. “Ao redor do precipício” também é a sua volta ao álbum, depois de 11 anos lançando singles. Se reconectar com um formato musical que você conhece tão bem foi se reinventar, de alguma maneira?

Para mim voltar ao álbum foi um exercício curioso, porque eu realmente achava que o formato tinha ficado defasado. Mas eu percebi que para o meu trabalho de compositor era muito importante, como artista também. Até para o público poder acompanhar você cronologicamente, a sua trajetória, os álbuns ainda são uma referência. Aí eu acabei justamente procurando o material que eu vinha compondo nos últimos anos, selecionando coisas para este álbum. Foi realmente curioso fazer um álbum depois de tanto tempo, com todos os aspectos envolvidos, desde o tempo de dedicação, a preocupação com a combinação de todas as faixas entre si, o quanto tudo isso poderia funcionar, e ao mesmo tempo o barato de tentar fazer tudo isso com pessoas diferentes.  Eu produzi o disco junto com Kassim, Humberto Barros e o Maurício Negão e trabalhamos todo o tempo juntos: isso foi muito importante para criar perspectivas novas e acabou me ajudando a encontrar caminhos diferentes para a realização das músicas.

No release você conta que foi possível exercitar várias linguagens, “mantras de diferentes universos musicais”. Qual ou quais dessas linguagens soaram mais novas pra você?

Olha, eu na verdade trabalhei com várias coisas: algumas mais regionais, mais pro baião, como a experiência do “Você Diz”; o eletrônico de “Planetas Distante” e uma linguagem um pouco mais orquestral em “Por mais que eu saiba”. Todas elas foram interessantes e teve ainda a coisa de brincar com o batidão, botar umas guitarras sujas no batidão. Foram muitas ideias e isso deu uma cara interessante para o disco, ele é rico em possibilidades, mas ao mesmo tempo não perde o foco na canção: mesmo as vinhetas, que não são canções, fazem sentido porque estão ali justamente para dar uma “respirada” nas canções. As canções são sempre o foco pelas histórias, isso é fundamental no meu trabalho.

Há parcerias com Leoni, Zeca Baleiro, Dulce Quental, George Israel, Mauro Santa Cecília, Macalé, Luiz Melodia, Antonio Cicero, feitas em diferentes épocas. Como foi selecionar o que entraria no disco?

A seleção do disco foi feita por nós quatro, eu, Kassim, Maurício Negão e Humberto Barros. Ficamos um dia no estúdio, eu apresentei uma porção de coisas que eu tinha, e a gente foi ouvindo e selecionando. Gostamos até de mais músicas do que a gente acabou gravando, mas percebemos que talvez uma pudesse acabar disputando lugar com outra. É melhor quando as músicas estão mais cruas para decidir quais ficam ou não, então a gente foi muito objetivo na escolha das canções logo no começo do trabalho, e eu fui pegar coisas que eu tinha muito interesse em gravar nesse momento. Tinha essas parcerias com Leoni, Zeca Baleiro e Dulce Quental, a minha com o Macalé e o Luiz Melodia, muito especial também; coisas minhas com o Mauro Santa Cecília, o Antonio Cicero e o George Israel. Foi um disco com muitos parceiros e a partir do momento em que a gente escolheu ficou mais fácil, porque com o repertório colocado você já tem um encaminhamento muito bom para o trabalho, a coisa flui com mais facilidade.


Foto: Leo Aversa

É um projeto que conta com muitas participações: de Ritchie e Arthur Verocai a Alice Caymmi e Pupilo. Como elas foram se desenhando?

Eu tinha muita vontade de fazer algumas coisas com outras pessoas. Algumas opções para mim estavam sempre presentes: quando eu pensava em fazer um arranjo de metais, por exemplo, o Serginho Trombone era a minha primeira opção – graças a Deus eu ainda tive a oportunidade de trabalhar com ele nesse disco, pouco antes dele falecer. Mas teve situações novas muito bacanas: o Kassim trouxe o Verocai para fazer arranjos de cordas, metais e trompas, e foi muito bom trabalhar com ele, um cara que eu admirava muito e que fez um trabalho lindo para mim. A Alice Caymmi foi sugestão minha, porque a música “A sua dor é minha” (Frejat/George Israel/Mauro Santa Cecília) tinha um personagem feminino e eu achei que era o caso de ter uma cantora. A gente não se conhecia pessoalmente e ela chegou no estúdio e cantou magistralmente: a interpretação linda da Alice deu toda uma força para a música. E tive a presença do Ritchie, que é um cara que eu já admirava no Vímana e depois por toda a carreira solo maravilhosa que ele fez. Não lembro exatamente quem sugeriu, mas a gente descobriu que ele tinha uma proximidade muito grande com o Humberto Barros, eles já tinham trabalhado juntos. Ritchie também é meu vizinho, moramos no mesmo bairro, de vez em quando nos cruzamos na rua. Eu me senti muito honrado com a presença do Ritchie, ele fez um trabalho de vocais muito bacana no disco. Além disso, o Pupilo, que desde o meu primeiro disco eu queria que gravasse na bateria, mas sempre achava que a logística seria complicada – ele no Nação Zumbi, morando em São Paulo ou em Recife. Graças a Deus foi possível, graças à proximidade do Pupilo com o Kassim, e foi muito bom porque a gente se reencontrou depois de ter trabalhado há muito tempo atrás. E está num momento muito bom da carreira, de sua trajetória como produtor, instrumentista, abrilhantou as canções nas quais tocou, me deu uma alegria muito grande.

Além disso tem também o Leonardo Reis, um percussionista maravilhoso com quem eu nunca tinha trabalhado. Na verdade, a minha primeira opção seria o Peninha, sempre, forever, mas não tendo o Peninha foi interessante trabalhar com uma pessoa diferente, que tinha uma outra abordagem. Adorei o trabalho que ele fez no disco. As meninas e os meninos que fizeram os vocais, são quatro vocalistas que cantam com a Isa, uma garotada nova que faz backing vocal maravilhosamente. Foi muito bom para o disco essa mistura de velhos conhecidos e caras novas.

O ambiente da música digital é uma realidade sem volta, o mercado físico dá seus últimos suspiros. Você acha que a experiência de ouvir música também mudou?

A música digital veio para ficar, mas eu acho que o mercado físico não está dando seus últimos suspiros, não. O nicho do vinil está muito forte: eu por exemplo, não fosse pela capa, preferiria o CD ao vinil. Eu ainda compro CDs quando posso e acho que a gente vive um mundo de consumo de música muito diferente. A música virou um elemento de entretenimento e de conforto para as pessoas, quando antigamente tinha um papel mais filosófico-reflexivo. Ela sempre teve também esse papel de entretenimento, mas a tua música representava quem você era. E eu acho que isso está um pouco mais diluído hoje, porque a indústria fonográfica cresceu tanto nos anos 1990 que perdeu um pouco o foco. O produto música foi diluído e depreciado. Quando eu era garoto, um disco de vinil era um belo presente de Natal: muitos anos depois, vinte anos depois, se você desse um CD de Natal a pessoa ficava até indignada. Tinha gente que ganhava CD de graça, que tinha CD pirata, então a gente sofre até hoje as consequências dessa desvalorização da música como produto.

As faixas do álbum:

“AO REDOR DO PRECIPÍCIO” (Frejat)

“TE AMEI ALI” (Frejat/ Zeca Baleiro)

“AMAR UM POUCO MAIS” (Frejat/Leoni)

“PERGUNTA URGENTE” (Luis Nenung)  

“CARTAS E VERSOS” (Frejat/Leoni)

“BATIDÃO MIX” (Autoria de todos os músicos que participaram)

“E VOCÊ DIZ” (Frejat/Macalé/Luiz Melodia)

“PLANETAS DISTANTES” (Frejat/Dulce Quental)

“TUDO QUE EU CONSEGUI” (Frejat/ Mauro Santa Cecília/Antonio Cicero)

“A SUA DOR É MINHA” (Frejat/ George Israel/Mauro Santa Cecília)

“TODO MUNDO SOFRE” (Frejat/Leoni)

“POR MAIS QUE EU SAIBA” (Frejat/Leoni)

“PARADA DE ESTRADA … DESERTA” (Frejat)


Foto: Leo Aversa

FICHA TÉCNICA DO ÁLBUM:

PRODUZIDO POR KASSIN, HUMBERTO BARROS, MAURÍCIO NEGÃO E FREJAT.

GRAVADO E MIXADO POR RENATO MUÑOZ NO ESTÚDIO DUBROU ENTRE NOVEMBRO DE 2018 E MAIO DE 2019.

GRAVAÇÕES ADICIONAIS FEITAS POR MAURO ARAÚJO NO ESTÚDIO MARINI

MASTERIZADO POR RICARDO GARCIA

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: GRÃO PISSURNO

ASSISTENTE EXECUTIVO: DOMINGOS OLÍMPIO

ILUSTRAÇÃO E PROJETO GRÁFICO: JULIA PELLEGATTI FREJAT

DIAGRAMAÇÃO: ANA BEATRIZ – J2 DIGITAL

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