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Sintonizando com Barroso Eus

Foto: Marco Biglia

Mais do que trazer entretenimento, o artista tem o compromisso de refletir e questionar. E é isso que Barroso Eus faz em todas as suas artes. Ator, cantor, compositor, músico e poeta, seu estilo alternativo é o resultado de muitas referências e nesta entrevista ele fala um pouco de onde vem suas ideias para criar trabalhos tão expressivos e diferentes.


Foto: Sergio Santoian

Você é músico e ator. Como foi a descoberta para vocação em ambas as artes e como você concilia as duas carreiras atualmente?

A música sempre esteve presente na minha infância. Meus pais sempre escutaram diversos estilos e meu irmão mais velho também. Lá em casa sempre foi de Sabotage a Led Zeppelin. Eu cresci assistindo muitos desenhos, animes, documentários e filmes, mas nunca ia ao teatro. Minha família não tinha esse costume/vontade. Nasci e cresci em um bairro periférico da zona sul de São Paulo (capital) mas eu sempre transitei entre as diferentes classes sociais. Isso me trouxe muitas referências e ensinamentos.

Eu estou todo dia tentando aprender algo novo e buscando como ser alguém melhor para com o mundo. Não sei se tenho vocação pra arte mas tenho vontades e acredito no seu poder transformador dentro de uma sociedade.

Eu consigo conciliar as duas profissões porque não estou só (risos). Muito difícil fazer arte sem ter pessoas te apoiando desde a sua estrutura familiar. Seja com um “Parabéns” ou “Acredite nesse sonho. Continue” até “Tome aqui dez reais por esse seu show (ou peça teatral).”

Um trabalho recente como ator que tem tido uma grande repercussão é na série Aruanas, da Globoplay. Fale um pouco da importância desse trabalho para o momento atual da sua carreira.

Aruanas mudou o meu rumo na arte. É uma série sobre ativismo ambiental que rebate em toda uma estrutura racista, misógina, machista e agrotóxica. Essas temáticas dialogam também com os meus trabalhos na música e nas ações sociais das quais eu faço parte. Apenas reclamar te faz inútil, por isso eu Reajo. Aruanas também me abriu muitas portas na arte. Outros filmes, séries e mais parcerias na música estão acontecendo. Sou muito grato.

Para o seu primeiro álbum, “Vendo Sonhos”, você foi até a Cracolândia, região central da cidade de São Paulo, e teve uma interação muito interessante com as pessoas ali, levando livros e ouvindo suas histórias. Como surgiu essa ideia e o quão importante isso foi para o resultado final do álbum?

A ideia surgiu a partir de algumas idas e vindas de intervenções artísticas na região a partir do convite de uma amiga multiartista Joana Dória em 2017 (que não é da família do João. Risos). Já em 2018, eu senti um chamado de voltar lá, mas dessa vez ir sozinho, durante algumas semanas e isso mudou tudo no álbum “Vendo Sonhos”. Desde letras, nome do disco até referências/inserções sonoras. PS: As pessoas precisam conhecer aquele lugar e entender os motivos dele ainda existir. É urgente.

Você acabou de lançar “Amor Livre”, descrito como uma carta aberta a toda e qualquer forma de amor, dedicado a todes, todas e todos aqueles corpos pretos que se foram de forma natural ou violenta. Recentemente vimos uma onda de protestos contra o racismo (após o assassinato de George Floyd, nos EUA). Para você, qual é o papel do artista na luta contra racismo, LGBTfobia, machismo e outras causas importantes?

Quem faz arte tem esse compromisso: refletir e questionar. Por mais que a música “somente” fale sobre “a cor do sol” é necessário entender que assim como um médico, o ofício da arte tem sua função e precisamos ser profissionais tanto quanto ele é em uma cirurgia, por exemplo. Mesmo que seja falando dessa tal “cor do sol”, trazendo todo o arranjo, coreografia, texto ou o que for. É preciso falar das coisas urgentes, quebrar tabus e derrubar as estatísticas. Pra mim, para ser artista tem que ser a favor de toda e qualquer forma de vida. É aí que a terra treme. É assim que eu vibro.



O clipe de “Amor Livre” conta com cenas gravadas em casa. O isolamento social tem sido um limitador para muitos, e claro, a classe artística também foi afetada. Como artista, como você enxerga esse cenário atual e como criar em um momento como este?

A pandemia ajudou a mostrar o quão vulneráveis somos. E ela vem mostrando que se a gente continuar ignorando as estruturas e as origens das coisas, a gente vai ruir como sociedade, como raça humana.

Eu tenho estudado e me engajado com outras coisas fora da arte mas que no fundo servem de estofo para um artista. Estou entendendo melhor o poder da internet, rompendo fronteiras e fazendo conexões que dificilmente seriam criadas sem esse estado de guerra que estamos passando.

O seu novo álbum é dividido em 4 atos. Alguns singles já foram lançados. Qual é a dinâmica dos lançamentos? Já pode falar algo sobre os próximos?

Pensando no poder simbólico de um acontecimento ser taxado no calendário, nós do projeto Barroso Eus olhamos os dias, meses do ano e pensamos “vamos conectar os lançamentos do disco com a história por detrás dessas datas”. Dia 20 de Julho lançamos o clipe 6 “Ato Zero. Origem” no Dia do Amigo mas que também é o dia em que o humano pisou na Lua pela primeira vez em 1969. E assim seguimos. Dia 16 de Agosto é conhecido também como o Dia do Filósofo e vamos fazer o lançamento do clipe 7 “Ato Três. Sabedoria” mais uma vez com participação da minha mãe Lone Barroso que foi quem me trouxe muito o questionar e bibliografia desde a infância. Por hora, posso dizer mais que o disco sai no dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, um ano depois do primeiro single e clipe do disco que lançamos no mesmo dia em 2019. Chavosidades pra nós!


Confira alguns destaques do trabalho de Barroso Eus:

BARROSO EUS – The Big Bang Theory e Coisas Mais

BARROSO EUS – Ato Zero . Origem

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Foto: Hygo Ramos

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