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Sintonizando com Malú Lomando

Foto: Paola Vespa

Música é a arte da junção do som com as palavras. E se houvesse personificação dessa máxima, Malú Lomando a seria. Ser, ia. Num leve e ao mesmo tempo intenso pulsar, a cantora, compositora, muralista e atriz faz da música poesia. “Alphaleonis”, seu primeiro álbum autoral, é místico, profundo e carrega em cada canção a essência da artista.

Em entrevista exclusiva à Abramus, ela nos conta sobre a sua carreira e seu novo trabalho.


Foto: Paola Vespa

Você é uma cantora que trilha vários caminhos artísticos e os une num mesmo enredo. Qual foi o seu primeiro contato com a arte?

Desde pequena fui estimulada pela minha família em várias linguagens artísticas. Comecei a fazer teatro aos 7 anos e nunca mais parei. A música nasceu em mim por volta dos 13, quando comecei a gravar vídeos cantando e aprendi a tocar violão sozinha. Eu me apresentava todo ano nos festivais da escola e em 2012 fui finalista de um programa de talentos da MTV. Sempre gostei muito de desenhar também, e na época da faculdade tive a oportunidade de experimentar o graffiti, pelo qual me apaixonei. Durante muito tempo eu senti uma pressão grande para escolher uma coisa só, achava que fazer tudo isso significava que eu não tinha foco, que não faria nada direito. Hoje acredito que a arte é um estado, e que definir uma linguagem só é se limitar. Somos seres múltiplos e a arte também é, e que devemos expressá-la como vier.

Cantar e interpretar são coisas diferentes, mas você as faz com sensível leveza. A música e as artes cênicas, embora independentes, podem ser complemento uma da outra?

Pra mim, elas não só podem como são! Como cantar uma música sem carregar sua mensagem? É preciso senti-la por inteiro, e isso é interpretação. Encaro cada música como encaro um texto de dramaturgia: absorvendo as palavras, trabalhando cada intenção, entendendo a quem ela simbolicamente se dirige, e assim consigo construir a atmosfera e a performance que quero levar pro palco. Realmente não consigo ver uma coisa separada da outra! Elas só tem a se agregar.

Das suas primeiras apresentações na TV há alguns anos até o seu novo álbum, nota-se um grande amadurecimento artístico. Como se deu o processo de evolução do seu trabalho?

Acho que eu não sabia muito bem o que queria como artista naquela época; me faltava essa maturidade do tempo e da experiência das coisas. E eu não acreditava muito em mim na carreira musical, e tentei fugir um pouco de ser artista cursando Relações Internacionais na faculdade. Mas a arte sempre me puxou pelo pescoço! Tive que me perder pra de fato me encontrar, e encarar que viver de arte era o que eu queria. Somou-se a isso processos intensos de autoconhecimento a partir do término de um relacionamento muito marcante: assim desabrochou a Malú compositora. E o universo me trouxe parceiras/os incríveis, que fizeram parte da criação do meu projeto musical como um todo, permitindo que em apenas dois anos meu trabalho ganhasse todo esse corpo. A gente não faz nada sozinho nessa vida – e nem tem graça! Sou extremamente grata. Então, eu diria que essa evolução se resume em: tempo, autoconhecimento, coragem e uma rede de pessoas maravilhosas.

Alphaleonis é mais do que um disco. O álbum é uma obra conceitual moderna que aborda temas da mulher enquanto uma e como integrante de uma sociedade ainda com tabus a serem quebrados. O quão importante é dar voz a essa luta?

Extremamente importante. Todas as desconstruções que estamos vivendo enquanto sociedade nesse desmonte coletivo do patriarcado, do racismo, da lgbtfobia e etc., dependem também de uma revisão interna de conceitos e crenças limitantes na nossa vida pessoal. Por exemplo: eu posso me empoderar por fora, não me calar diante de abusos e injustiças , me tornar uma mulher independente, me libertar de pressões estéticas; mas isso não se sustenta se, lá dentro, eu ainda não me amo; se eu ainda acredito que só serei plenamente feliz se tiver um homem ao meu lado; ou que devo mascarar minha vulnerabilidade para ser aceita; ou que meu sangue menstrual é algo impuro, nojento. E é sobre isso que o Alphaleonis fala: dessa reforma interna que vivi para então encontrar meu lugar no mundo, um processo pelo qual muitas pessoas estão passando nesse momento. Parindo esse disco, eu abraço e me sinto abraçada por tantas mulheres – e homens! – e nessa poderosa conexão artística, podemos nos libertar em comunhão.


Foto: Gabryel Matos

Diante da sua versatilidade, inúmeras são as suas possibilidades de atuação e de valor a agregar ao contexto do seu trabalho. Quais são os seus próximos passos?

Num período tão hostil a nós trabalhadores da cultura, tenho buscado maneiras de me manter em movimento. Lancei agora no final de junho um single novo gravado totalmente em casa, “Dona Sombra”, em parceria com a Giu Melito, que é trilha sonora do projeto #EstouAquiParaContar , uma ação contra a violência doméstica e relacionamentos abusivos encabeçada pela atriz e querida amiga Thainá Duarte (Aruanas). Sigo compondo e criando parcerias na parte musical ao mesmo tempo que crio conteúdos, faço LIVEs, desenvolvo novas frentes de atuação e flexibilizo orçamentos para meus trabalhos de pintura. Tudo é muito incerto nesse momento, mas dentre meus vários projetos em gestação, posso dizer que já estou elaborando um próximo álbum e, possivelmente, mais um single para ser lançado ainda este ano.


Confira alguns destaques do trabalho de Malú Lomando:

Teaser “VIDA MORTE VIDA”, para Alphaleonis

Supernova (ao vivo) – Malú Lomando, Barroso Eus

Poema Visita + Meu Homem (acústica)

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Foto: Bia Morra

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