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Sintonizando com Fernanda Porto

Foto: Millena Rosado

Fernanda Porto é cantora, compositora, produtora musical, multi-instrumentista e agora dona do próprio selo musical, o Giramundo Records. Sua carreira é extensa, conta com parcerias com grandes nomes da música popular brasileira e ela é referência na mistura de música popular brasileira com eletrônica.

Fernanda começou muito cedo na música, ainda na infância, compondo canções para festivais de escola e tocando vários instrumentos como autodidata. Aos 16 anos entrou na Faculdade de Música onde estudou piano, canto lírico, composição e regência.

Nesta entrevista, Fernanda Porto fala da carreira e de seu novo trabalho “Corpo Elétrico e Alma Acústica”.


Foto: Millena Rosado

Você sempre trabalhou com música e seu envolvimento com ela é desde muito cedo, participando de concursos desde a época da escola. Como foi essa sua percepção para a música, como começou a compor e trabalhar com isso?

Comecei como autodidata, dedilhando o piano que tinha em casa e pegando dicas com amigos. O violão popular também aprendi sozinha comprando revistas de cifras com as canções que eu gostava na banca. Aos 14 anos descobri que existia faculdade de música.  A partir daí me dediquei totalmente ao piano para conseguir entrar no teste de aptidão. Entrei no Bacharelado em piano mas logo percebi que meu negócio era compor. Mudei para o curso de Composição e Regência e escolhi como mestre o maestro alemão J.H. Koellreutter que foi quem trouxe a música contemporânea e eletrônica erudita para o Brasil. O que mais aprendi com ele foi de sempre buscar novas sonoridades. Logo após a faculdade trabalhei compondo trilhas sonoras para filmes e documentários. Nessa mesma época montei minha primeira banda e com elas fizemos algumas séries de shows no circuito cultural de São Paulo.

Sua formação é no clássico, mas boa parte de sua carreira foi na música eletrônica. Como foi que você conheceu e começou a trabalhar com a música eletrônica e misturá-la com a música popular brasileira?

Exatamente. Fiz o curso de composição erudita e canto lírico, mas foi justamente nessa época que conheci a música eletrônica contemporânea. Fiz alguns cursos extras dessa linguagem na USP, escolas de música eletrônica para DJs por aqui_”Beatmasters” e “DjBan” e um curso online Berklee (USA). Mergulhei nos softwares de programação de música para finalmente poder me apropriar das ferramentas que precisava para experimentação. Sempre amei a MPB, pois na minha adolescência foi o auge da carreira de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Milton Nascimento, por exemplo. Por adorar os ritmos brasileiros sempre comprei discos e coleções com registros históricos de vários estilos da música brasileira. O maracatu, por exemplo eu gosto tanto que fui para Recife em 98 só para pesquisar in loco. Lá gravei o que seria a “base rítmica” da música “Baque Virado” que está em meu primeiro CD. Minha relação com o samba vem muito da bossa nova que eu ouvi bastante também. 

Quando viajo para fora do Brasil, fica cada vez mais claro que o público respeita muito a nossa musicalidade e a reconhece como única. Me sinto naturalmente instigada por experimentar sempre. Atualmente por exemplo, compus um Frevo, que vou guardar para o próximo disco, e um “Xaxado” em homenagem ao Mestrinho que estou louca para lançar ainda nesse disco. Atualmente existem vários songbooks sobre ritmos brasileiros muito bem produzidos e que vêm acompanhados de amostras de áudio com variações de cada estilo. O último que comprei é organizado pelas regiões do Brasil, “Tocando o Brasil” de Alfredo Maranha, muito bom.

Não dá para falar de Fernanda Porto sem lembrar do grande sucesso que foi “Sambassim”. Quais os maiores frutos que você colheu deste trabalho e como ele impactou na sua carreira?

Foram vários mesmo! Fiquei muito feliz por ter tido o meu primeiro sucesso com uma música cuja sonoridade foi o resultado de um desafio para mim. A própria letra pergunta: “Samba assim assado, de beat acelerado, será que é Samba assim?”. Outra grande alegria foi por essa canção ter sido um sucesso internacional. A canção entrou em mais de 40 coletâneas do mundo todo e assim praticamente comecei a ser conhecida e fazer shows por vários países ainda antes de ter lançado o meu primeiro disco. Ele foi sem dúvida um divisor de águas na minha carreira. Muita gratidão por isso!



Seu trabalho mais recente “Corpo Elétrico e Alma Acústica” marca também o lançamento de seu próprio selo, “Giramundo Records”. Como foi o processo de decisão de sair de uma gravadora para ter um trabalho mais independente e como essa mudança tem refletido no seu trabalho?

Sempre tive autonomia criativa quando estive em gravadoras. Como o meu primeiro disco vendeu mais de 120 mil cópias (Fernanda Porto-Trama 2002), tive total liberdade para gravar o segundo (Giramundo-Trama 2004). Quando chegou a hora de gravar um DVD decidi ir para a EMI pois queria um projeto ao vivo. O catálogo da EMI acabou sendo absorvido pela Universal e na prática eu estava vinculada a eles. Mais uma vez tive também muito respeito e liberdade com a direção artística mas percebi que chegou a hora de assumir meu projeto de ponta a ponta. Esse disco, “Corpo Elétrico e Alma Acústica” desde o início foi concebido para ser lançado em “singles” quinzenais, por exemplo. Na prática tomei a decisão e sai de lá com o master do meu último disco com eles _ Autorretrato-2009. Pretendo relançá-lo em breve pelo meu selo. Para mim tem sido importante desenhar minha carreira assim pois apesar de toda autonomia que eu tinha nas gravadoras, é claro que algumas estratégias de marketing, cronogramas, etc… não necessariamente coincidiam com o meu “timing” artístico.

Sobre “Corpo Elétrico e Alma Acústica”, você assina a direção artística, a produção musical e toca todos os instrumentos das canções, além de ser a compositora e arranjadora das faixas. Quão significativo é para você estar à frente de todas as etapas do seu álbum?

Meu primeiro disco foi assim. Muita gente acabou não sabendo que nele também gravei todos os instrumentos e produzi. Percebi que estava com muita vontade de experimentar de novo esse formato. Não é fácil claro estar sozinha em todas as decisões, mas essa foi a minha inspiração dessa vez.

Ao invés de lançar o álbum completo você optou por lançar singles e essa tem sido uma tendência no mercado musical. Como você acredita que isso contribui para o trabalho do artista, especialmente de artistas independentes?

Considero que hoje o “tempo das coisas” mudou muito. Queria que as músicas pudessem chegar para o público aos poucos pois sinto que não temos mais a mesma disponibilidade para ouvir um álbum completo. Inclusive parte do projeto tem sido lançar antes dos singles versões “originais” das canções, ainda sem arranjo, no formato “acústico” voz e violão e voz e piano… O público tem gostado de dividir esse “processo criativo” comigo.

Além do seu trabalho solo, você fez inúmeras parcerias com DJs no início da carreira e também com grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque, João Donato, Zizi Possi e tantos outros… Para você, qual é a importância das parcerias na carreira de um artista?

Acho as parcerias super enriquecedoras. Aliás todas para mim foram grandes surpresas. Quando fomos apresentar para o Chico Buarque a trilha sonora que estava fazendo para o filme “Cabra Cega” de Toni Venturi eu jamais imaginei que ele além de ter aprovado as versões eletrônicas que eu tinha feito para as suas canções, gravaria “Roda Viva” comigo. Outra grande surpresa, foi quando Marina Lima me convidou não só para cantar, mas também para fazer o arranjo de “Charme do mundo” para o DVD “Acústico-MTV”. Eu sempre amei o trabalho dela e a banda que gravou esse projeto é maravilhosa. O Dj Patife foi diferente: eu que fui atrás! Fui a um show dele com meu CD Demo na mão e avisei: fiz um disco inteiro de canções no estilo “Drum and bass”, espero que você goste! Ele ouviu somente 2 meses depois, mas imediatamente me ligou e pediu para remixar “Sambassim”. Ele realmente conseguiu uma “química” perfeita para o Groove, baixou o BPM (andamento) e teve a coragem de lançar nas pistas de Londres. A partir daí a música ganhou vida própria e recebemos vários convites entre eles, gravar a versão eletrônica de “Só tinha de ser com vc” (Jobim/Aloysio de Oliveira). Considero as parcerias um encontro sempre mágico. Mais que um sonho é estar diante de artistas que admiro. Para esse novo disco criei uma canção em homenagem ao Milton Nascimento. Faixa título do álbum, “Alma acústica” (Fernanda Porto) é um bônus track em versão que fiz piano e voz. Tomara que um dia chegue aos ouvidos dele. Admiração total!

Estamos num momento difícil com a pandemia do covid-19 (coronavírus), que tem afetado todos os setores, inclusive o mercado musical. Quais mudanças a pandemia causou no seu trabalho e quais são seus planos para quando essa pandemia passar?

Alguns itens do lançamento tiveram que ser adiados, como por exemplo os clipes que faríamos das canções e o show de lançamento com banda. O que decidimos é fazer um show de lançamento “solo” por enquanto no formato “live” quando fecharmos o ciclo de lançamentos dos singles (previsto para final de agosto).


Confira alguns destaques do trabalho da Fernanda Porto:

“Corpo Elétrico” (Fernanda Porto)

CLIPE – Fernanda Porto – “Roda Viva”

Fernanda Porto – Mini Doc – Tempo Me Ensina – Episódio 01

Marina Lima e Fernanda Porto – Charme do Mundo Ao vivo

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Foto: Millena Rosado

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