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Sintonizando com Linn da Quebrada

Foto: Gabriel Renne

Cantora, compositora e atriz brasileira. Transexual, ativista pelos direitos civis da comunidade LGBT e da população negra, Linn da Quebrada se descreve como: “Bicha, trans, preta e periférica. Nem ator, nem atriz, atroz. Bailarinx, performer e terrorista de gênero”.

Confira abaixo uma entrevista que a artista cedeu à Abramus falando um pouco sobre sua carreira até aqui e o impacto da atual crise mundial em relação ao coronavírus.


Foto: Gabriel Renne

Nos últimos anos, artistas lgbtqia+ têm conquistado cada vez mais espaço e reconhecimento na música.  Como você vê esse cenário atual e o que ainda falta?

Eu vejo e sinto que temos avançado muito, mas continuo me perguntando quem tem avançado e como. Porque somos artistas muito diversas quando se fala na comunidade TLGBQIA+. E esse mercado acaba construindo uma competição entre nós, construindo um cenário de disputa entre a própria comunidade. Sendo que nosso trabalho é muito diverso e singular. Acredito que seja importante entender que nem eu, e acredito que nem essas outras tantas artistas, façam música TLGB ou seja lá qual seja a demarcação territorial que nos deem. Eu faço música. Faço música a partir do meu corpo, minhas possibilidades e minhas experiências. Acho curioso que a nossa produção seja específica e a de outras artistas sejam universais. Não se fala que fulana faz música cisheteronormativa. E acredito que seja importante dar nome a movimentos, e acontecimentos para que a gente passe a enxergar eles como tal. Com tudo isso, quero dizer que sim, temos avançado, algumas de nós. Há algumas vozes e alguns discursos sendo ouvidos. Há muitas outras narrativas que seguem sem muito eco. Nós somos muitas. Somos inúmeras. Somos incontáveis. Somos uma legião. E a estrutura desse mercado de produção e consumo é excludente. E ainda temos muito o que dizer. Por isso que é tão importante que a gente entenda nosso lugar também enquanto público. E a responsabilidade que temos pelo e como consumimos.

Quais são suas principais referências musicais e também fora da música?

Eu gosto de muita coisa, de muita gente diferente, gosto muito de música brasileira. Amo Luedji Luna, amo Letrux, amo Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, Tassia Reis, Aneliss Assumpção, Edgar o Novíssimo, Getúlio Abelha e poderia passar mais algumas horas apenas dizendo aquelas que me vem na cabeça e ainda iria esquecer umas tantas tão importantes. Gosto muito de uma galera de fora, tipo Arca, Mykki Blanco, Ase Manual, e la vai gente. Eu gosto de música. Gosto de ser surpreendida musicalmente. Por exemplo, há um tempo atrás eu vi uma peça de teatro que contava a história da Stela do Patrocínio, através de seus textos musicados, na voz e corpo de Georgette Fadel. E eu fui tão atravessada por essa peça que até hoje aquelas canções reverberam em mim. Deixo aqui essa dica para que conheçam a obra e vida de Stela do Patrocínio.

Você vem do teatro, tem trabalhos no cinema e recentemente teve a oportunidade de mostrar mais do seu lado atriz para o grande público com a personagem Natasha, na série “Segunda Chamada”, da Rede Globo. Qual foi a repercussão deste trabalho em sua carreira?

To cada vez mais famosa, né?! (risos). Brincadeiras à parte, to sim mais famosa, venho sendo reconhecida em mais lugares. E o mais legal disso tudo é que meu trabalho e minha atuação artística vem sendo reconhecida. Eu já vou fazer 30 anos, e já trabalhei pra caramba e espero trabalhar muito mais. É muito recompensador ver minha mãe orgulhosa e feliz pela minha trajetória. Mas eu mesma, já sou muito feliz por tudo o que eu faço a muito tempo, desde minhas pequenas performances e experimentações antes de ser a Linn da Quebrada. Eu sou muito orgulhosa de tudo que eu fiz, de todo meu caminho e trajetória.

Você já fez muita coisa diferente e pessoalmente cada trabalho deve ter a sua importância. Mas qual você considera ter sido o auge em sua carreira até agora?

Ai, essa pergunta é muito difícil porque cada coisa tem o seu papel e foi fundamental para que eu me tornasse quem eu sou hoje e onde cheguei até agora. Mas o filme Bixa Travesty tem um lugar muito especial no meu coração e na minha memória. Desde seu processo de feitura, minha atuação e organização de ideias e pensamentos para torná-lo realidade, e onde o filme me levou e onde ele tem chegado até hoje. É um recorte muito íntimo de mim. Acredito que eu estava muito lúcida e muito louca naquele momento. Acho bonito compartilhar esse registro com quem me acompanha. Quando eu vejo o filme eu me torno fã da Linn da Quebrada de novo.

Como tem sido conciliar os trabalhos como atriz e cantora e quais os projetos para 2020?

Como falar em 2020 sem falar dessa rasteira que tomamos do coronavírus, né?! Acho nebuloso ainda falar do que estamos vivendo enquanto sociedade nesse momento. Isso tudo foi uma grande surpresa pra mim. Lógico que pandemias já aconteceram antes e poderiam acontecer novamente. Principalmente com o mundo globalizado dessa forma. E é justamente isso que torna possível esse momento. O mundo parou. Estamos isoladas. Sem muita perspectiva ou certezas de como as coisas serão daqui pra frente. Eu espero que tudo isso tenha realmente um impacto em nossas vidas que nos permita repensar nosso modus operandi, como um todo. Acredito que tudo isso vai reverberar também sobre o nosso trabalho e toda a estrutura desse sistema. 

Quanto aos meus trabalhos e projetos que estavam planejados pra 2020 tiveram de ser repensados e reorganizados. Já gravei a segunda temporada do programa transMissão, com o canal Brasil. Vou lançar a 2a parte do álbum de remix pra terminar de me despedir de Pajubá, muitos shows e eventos foram adiados ou cancelados. E ainda tenho um novo álbum pra realizar. Muita coisa, né?! Espero que tudo se desenrole e a gente sobreviva a todo esse caos à nossa volta.



Confira alguns destaques do trabalho da Linn:

Linn da Quebrada – Serei A ft. Liniker (Áudio-Vídeo Oficial)

Linn da Quebrada – Oração (Clipe Oficial)

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Foto: Gabriel Renne

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