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No Dia do Sertanejo, conheça a história do ritmo mais ouvido do Brasil

Um estilo musical que nasceu das raízes do Brasil e se tornou o preferido no país. O ritmo sertanejo, que hoje é ouvido em qualquer lugar e em todas as classes sociais, surgiu da cultura caipira para se misturar à música eletrônica, ao funk, ao arrocha ou qualquer outro ritmo que justifique investimentos – e ganhos – milionários. No Dia do Sertanejo, vamos contar um pouco da história do gênero que reina nas paradas musicais.

Essa história começa através de Cornélio Pires, que, em 1928, pagou do próprio bolso uma tiragem de 25 mil discos – que se esgotaram rapidamente, numa viagem entre São Paulo e Bauru. Nomes como Mariano e Caçula, Paraguassu, Raul Torres (Bico Doce), Sebastião Arruda, Arlindo Santana, Zé Messias e Luizinho começaram a surgir daí. O fato acendeu o interesse da gravadora Columbia, que logo o contratou.

Mas os músicos caipiras ainda tinham uma imagem caricata, por vezes até diminuídos pela população das grandes cidades. A primeira “divisão” entre caipiras e sertanejos se deu com a dupla Léo Canhoto & Robertinho, em 1969. A dupla introduziu as guitarras elétricas do rock e da Jovem Guarda, o visual country e cowboy norte-americanos e, aliada a tudo isso, uma sonoridade nova. Conquistaram disco de ouro com seu primeiro LP, a primeira vez que um artista do gênero atingiu tal marca.

No ano seguinte, surgiu uma dupla que faria ainda mais sucesso: Milionário e José Rico. Com menos rock e mais humor e romantismo, passaram a vender uma média de 400 mil discos por ano, consolidando o sertanejo como novo gênero brasileiro.

Mas seria com uma jovem dupla que o sertanejo começaria a atingir números milionários. Em 1982, Chitãozinho & Xororó, com a canção “Fio de Cabelo” (de Darci Rossi e Marciano), romperam pela primeira vez a marca de 1 milhão de discos vendidos e abriram de vez espaço para o gênero no mercado fonográfico.

Conflitos entre caipiras e sertanejos à parte, nas décadas de 1980 e 1990 o Brasil viu florescer duplas com os mais estrondosos sucessos. Foi a época do romantismo de Leandro & Leonardo (“Entre Tapas e Beijos”), Zezé Di Camargo e Luciano (“É o Amor”), Chrystian & Ralf (“Chora Peito”) e João Paulo & Daniel (“Adoro Amar Você”). Mais do que nunca, o sertanejo invade programas de rádio e TV por todo o país.

O início dos anos 2000 é marcado por um novo momento da música sertaneja: o sertanejo universitário. Começam a proliferar duplas como João Bosco & Vinícius, Jorge & Mateus, Guilherme & Santiago, Maria Cecília & Rodolfo e César Menotti & Fabiano. As canções passaram a tratar de temáticas mais jovens, como baladas e conversas pelo celular, e a sonoridade ganhou novas influências, tal como o axé e o funk.

Desde então, o sertanejo cresceu ainda mais e, hoje, é o ritmo mais escutado no Brasil. Mais recentemente, o empoderamento feminino também ganhou espaço e vozes como Marília Mendonça, Maiara & Maraísa e Simone & Simaria são cada vez mais ouvidas neste universo.

De acordo com o relatório da Pró-Música Brasil, 23 das 50 músicas mais executadas nos serviços de streaming em 2017 foram de artistas sertanejos. E no rádio não é diferente. Números da Crowley mostram que 87 das 100 músicas mais tocadas no rádio no ano passado são do gênero.

Mais do que só música, o sertanejo tornou-se um negócio altamente lucrativo. Soube se adaptar aos ouvidos do público e à modernidade – como os números acima comprovam, trabalha as plataformas digitais como nenhum outro estilo musical.

E aí? O que você acha que o futuro reserva para a música sertaneja?

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