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YouTube: Monetização + Direitos autorais

Tudo que você precisa saber para começar a ganhar com vídeos publicados na plataforma

 

Você consegue lembrar como era a vida antes do YouTube? Se sim ou se não, a gente já adianta: um pouco mais sem graça e, com certeza, com muito menos oportunidades para os produtores de conteúdo. Desde 2005, a plataforma de vídeos vem mostrando cada vez mais a sua influência no meio digital e mudando para sempre a forma de se consumir música.

 

Youtube como plataforma de música

Segundo pesquisas, 82 milhões de pessoas consomem música online todo mês no Brasil. Acontece que, o YouTube, sozinho, tem a mesma proporção que as rádios no país, sendo acessado pela população acima de 12 anos das classes A, B e C. E a música é o principal conteúdo consumido.

Hoje, tornou-se improvável um artista lançar um clipe em qualquer outro lugar que não o YouTube. Lá, estão horas e horas de trabalho de grandes cantores e bandas, nas mais variadas versões possíveis. E o mais interessante disso tudo é que ele não funciona apenas para os grandes artistas, já consolidados. Segundo o próprio Google, 57% dos consumidores de música no YouTube usam a plataforma para conhecer novas músicas e/ou artistas. Na prática, isso significa que o site também serve de pontapé inicial para quem ainda não tem tanta visibilidade. E o melhor de tudo: você ainda pode ganhar dinheiro com seus vídeos.

 

Mas nem tudo é tão simples assim.

Vamos às explicações de como funciona a monetização do YouTube que, por diversas razões, está sempre se alterando. Para você ter uma ideia, estamos no segundo mês de 2018 e o YouTube já mudou suas regras este ano.

Quando o YouTube Partner Program (programa que permite que os produtores de conteúdo recebam por seus vídeos) foi criado, os pré-requisitos para ser aceito eram:

  • Produzir conteúdo original;
  • Publicar vídeos em uma frequência regular;
  • Ter um conteúdo que obedeça às regras da Comunidade do YouTube;
  • Estar localizado em um dos países da lista do Partner Program.

Eram bons tempos para quem fazia tudo isso, já que as exigências eram poucas e relativamente simples. Uma vez aceito, seu canal poderia começar a veicular anúncios, por meio da AdSense, a plataforma de anúncios do Google. A partir daí, você começaria a lucrar, dependendo da quantidade de cliques em anúncio ou tempo de publicidade assistido.

O problema é que os anunciantes não tinham controle sobre a quais vídeos estariam “associando” seu produto: isso era feito através de um sistema do YouTube, baseado em um algoritmo. Ou seja, muitos anúncios acabavam por ser colocados em vídeos com conteúdo ofensivo e censurável. Nada legal para as grandes marcas, né?

Para tentar contornar a situação, o YouTube fez algumas mudanças no Partner Program, ainda em 2017, e mais uma regra foi estabelecida: o produtor de conteúdo deveria ter, além das regras já existentes, mais de 10 mil visualizações em seu canal. De acordo com a equipe da plataforma, os produtores que possuem essa marca de visualizações podem ser considerados mais “confiáveis”.

No entanto, a nova medida não foi tão eficaz assim e, no final de 2017, o YouTube novamente enfrentou problemas e, mais uma vez, decidiu por mudar as regras.

 

Moderação humana

A partir de agora, todos os canais que solicitarem participação no YouTube Partner Program serão analisados não só pelo número de visualizações, mas também pelo tipo de conteúdo e engajamento de usuários, pois o site contratou 10 mil “moderadores” para analisar os vídeos manualmente.

Para lucrarem com seus vídeos, os produtores de conteúdo deverão ter, no mínimo, mil inscritos e 4 mil horas de conteúdo assistidos nos últimos 12 meses. Os canais que já estavam no programa de monetização e não cumprem os novos pré-requisitos serão removidos até o final de fevereiro.

 

Ok, entendi como a monetização funciona. Mas como isso afeta o meu trabalho de compositor?

Suponha que você compôs um grande hit, que está fazendo muito sucesso na voz de um cantor famoso. Este cantor grava um vídeo cantando sua música e coloca no YouTube. Você irá, automaticamente, receber seus direitos autorais? NÃO.

Para o compositor receber os direitos autorais, deverá cobrar alguns feitos do artista. São eles:

1- O canal do artista precisa estar com a monetização habilitada. Isso ocorre porque o YouTube alega que, para pagar os direitos autorais, é necessário estar veiculando anúncios naquele canal/vídeo. Dessa forma, os compositores estarão aptos a receber em torno de 9% da receita publicitária gerada naquele vídeo;

2- Para o YouTube identificar que naquele determinado vídeo existe uma determinada música, é necessário que o artista, ANTES de subir o vídeo na plataforma, vincule o ISRC da música ao vídeo, através de uma agregadora digital. Caso o artista vincule o ISRC algum tempo depois de ter subido o vídeo no YouTube, o compositor não recebe pelas primeiras visualizações, já que a plataforma não paga valores retroativos.

Como você pode notar, o compositor depende do compromisso do artista com esses dois requisitos.

Você, compositor, precisa ter certeza do cadastro do IRSC feito pelo artista. Peça a ele o envio do cadastro para você checar se está conforme o combinado. Sendo assim, sugerimos que seja feito um acordo, através de contrato, para que todos saiam ganhando. E lembre-se, também, de avisar à sua sociedade para que ela fiscalize o ISRC.

Além disso, o YouTube não paga direitos conexos. Ou seja, intérpretes, músicos acompanhantes e produtores fonográficos não são contemplados, apenas os autores e editoras.

Em abril de 2018, YouTube/Google, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e União Brasileira de Editoras de Música (Ubem) assinaram acordos e, com isso, foram encerradas todas as ações judiciais movidas pelas entidades contra os gigantes da internet em busca de “remunerações justas” para os compositores. O motivo das queixas era um só: antes do acordo, os valores pagos aos usuários brasileiros não eram compatíveis aos oferecidos em outros países. Mas, agora, a Ubem garante que as cifras estão em harmonia com o que é aplicado internacionalmente.

 

Créditos em vídeos não-oficiais

Em maio de 2018, o YouTube anunciou uma novidade: a seção “Mostrar Mais”, em cada vídeo, foi expandida. A partir de agora, podemos saber quem é o artista, o nome da música e seu licenciamento. Isso significa que não só os clipes oficiais de bandas e artistas terão seus créditos à mostra, mas, também, outros vídeos não-oficiais e que usam músicas para outros fins, como trilhas e sons de background, terão as canções creditadas e creditadas aos autores automaticamente.

 

O que podemos concluir com tudo isso?

O YouTube apertou os cintos dos produtores de conteúdo? Sim, e isso só tende a aumentar cada vez mais, já que a fiscalização ficou mais acirrada e sabemos que a plataforma realmente precisa filtrar o que é respeitoso e o que é abusivo.

Para músicos e compositores, a plataforma ainda é um território sensível e assunto de grandes debates sobre os direitos autorais, não só no Brasil, como no mundo. Um relatório global da IFPI mostrou que enquanto 212 milhões de usuários de serviços de streaming como Spotify e Deezer geram US$ 3,9 bilhões de receita, os 900 milhões de pessoas que consomem música no YouTube rendem US$ 553 milhões. Esse é o chamado “value gap”: a diferença de valor que o YouTube paga por stream aos compositores em relação a outras plataformas.

Dados divulgados pelo site Information is Beautiful de julho de 2017 mostram que, enquanto o site de vídeos do Google paga US$ 0,0006 por stream, Spotify e Apple Music pagam US$ 0,0038 e 0,0064, respectivamente.

Portanto, é muito provável que ainda mais mudanças ocorram nos próximos anos.

 

Quer saber mais? Entre em contato com a gente e tire sua dúvida!

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