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Sintonizando com Rapha DanTop

Nesta semana, o Sintonizando destaca um talento fundamental dos bastidores da música: Rapha DanTop!

Com uma trajetória iniciada aos 15 anos, o tecladista e produtor musical acumula colaborações de peso no cenário nacional. Sua versatilidade transita com naturalidade entre o gospel, passando pelo pagode, R&B, pop e rap.

Como produtor e arranjador, assina trabalhos de grandes nomes, incluindo a produção do álbum Deixa Vir, de Thalles Roberto — vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Cristã.

Unindo sensibilidade, técnica e excelência, Rapha transforma ideias em canções marcantes que emocionam o público e fortalecem a música brasileira.

Vem sintonizar com Rapha DanTop!

Você assina a produção de “Deixa Vir”, de Thalles Roberto, projeto premiado no Grammy Latino. Como surgiu essa parceria e qual foi o sentimento ao ver esse trabalho ser reconhecido com uma das maiores honrarias da música?

O primeiro álbum do Thalles que produzi foi o Pentecostes (2022), e ele já representou um grande desafio. Ele estava há alguns anos sem lançar um trabalho inédito e vinha de uma longa trajetória com a mesma banda e o mesmo produtor. Tratava-se de uma sonoridade consolidada e aprovada pelo grande público. Portanto, apresentar uma nova proposta e uma nova roupagem foi desafiador, especialmente porque o projeto trazia releituras de clássicos já consagrados.

Graças a Deus, o trabalho foi um grande sucesso, que reverbera até hoje e abriu caminho para a continuidade da nossa parceria, culminando no Deixa Vir. A conquista do Grammy Latino ainda parece surreal. Nunca desenvolvi um projeto pensando em premiações; minha intenção sempre foi e continua sendo entregar o meu melhor. Confesso que esse reconhecimento nunca esteve sequer na minha lista de desejos, o que torna a conquista ainda mais marcante. Às vezes, custa a acreditar, mas reconheço que é fruto de muito trabalho e da dedicação de uma equipe incrível.

E, estando ainda no início da minha trajetória como produtor, receber um reconhecimento dessa dimensão é algo que carrego com profunda gratidão e responsabilidade.

Olhando para a sua trajetória, qual foi o projeto mais desafiador da sua carreira e por quê?

Sem dúvidas, o próximo! (Risos). Cada projeto carrega sua própria peculiaridade e surpresa, seja nas propostas musicais, nos ajustes minuciosos durante a edição, no cumprimento de prazos ou no desafio de viabilizar tudo dentro do orçamento.

Até hoje, nenhum trabalho foi igual ao outro. Se há algo que aprendi nesses anos de produção, é que não existe monotonia nesse universo. Cada projeto apresenta um desafio diferente, uma nova solução e a oportunidade de aprender algo inédito.

Se a sua rotina estiver sem emoção, torne-se um produtor musical!

Com o mercado musical cada vez mais dinâmico, o que você considera indispensável para que um trabalho se destaque?

A verdade que ele carrega. Um projeto precisa gerar conexão e identificação imediata com o público. As pessoas precisam ouvir a letra, a melodia e a harmonia e se enxergarem ali. Essa identidade se estende até à concepção visual, já que a música e a moda sempre caminharam juntas.

Tudo o que alcança o sucesso, até mesmo aquilo que, à primeira vista, criticamos, se analisado de perto, possui em sua essência uma verdade que ressoou com determinado grupo.

Muito se discute sobre uma “fórmula do sucesso”. Na minha visão, o nome dessa fórmula é verdade. “Ah, mas isso não é comercial.” Se houver verdade, funciona. “Ah, mas essa música tem seis minutos.” Se houver verdade, funciona. “Ah, mas essa harmonia é muito complexa.” Se houver verdade, funciona. “Ah, mas essa letra é muito elaborada.” Se houver verdade, funciona.

Quando alguém ouve e se identifica, o sucesso acontece.

Pensando no futuro: quais nomes ainda estão na sua lista de desejos para produzir? E o que há de novidades a caminho?

Essa é uma pergunta difícil. Não consigo delimitar nomes. Na verdade, desejo produzir todos! (Risos). Quero ser a primeira referência quando alguém pensar em produção musical: “Esse projeto precisa ser com o Rapha”. Definir nomes seria limitante. Enquanto o Rapha tecladista tem suas limitações, o Rapha produtor não encontra barreiras!

Contudo, para não deixar sem resposta, sonho em produzir novas linguagens, lançar novos talentos, investir em pessoas e fazer a diferença no mercado. Pode parecer um objetivo utópico ou clichê, afinal, em algum momento, todos quiseram ser heróis, mas é um desejo genuíno: descobrir talentos, ajudar a construir histórias e conceber trabalhos que deixem uma marca real na vida das pessoas. De certa forma, tem dado certo, mas quero ir ainda mais longe!

A grande novidade é justamente a continuidade. O ano de 2026 tem sido de intenso trabalho e do desafio de conciliar a produção em estúdio com a rotina na estrada. Além de produzir, também assino a direção do show do Thalles Roberto. Com isso, frequentemente preciso montar meu home studio em quartos de hotel, aeroportos ou ônibus de turnê para atender à demanda.

No entanto, aproveitando o vigor da juventude, considero essa rotina intensa algo extremamente gratificante!

Para fechar, como tem sido sua experiência com a Abramus na gestão e na proteção dos seus direitos autorais?

O trabalho da Abramus é fundamental para acompanhar, administrar e resguardar os direitos de quem vive da música. A carreira musical vai muito além do que é visto nos palcos ou no estúdio. Existe uma atuação intensa nos bastidores para garantir que os direitos dos profissionais sejam devidamente reconhecidos e preservados.

Contar com esse suporte e saber que há uma instituição dedicada à gestão e proteção dos nossos direitos traz a segurança necessária para que possamos focar no que realmente amamos: a música.

Passamos anos aprimorando nosso som, mas também precisamos aprender a zelar pelo o que esse som gera. Cuidar dessa gestão é parte essencial da carreira.

Para mim, é muito natural falar da Abramus, pois minha experiência sempre foi extremamente positiva. Trata-se da principal e mais tradicional associação do mercado, e sinto um enorme orgulho de fazer parte desse time desde o início da minha trajetória musical — muito antes de imaginar me tornar um produtor.

Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas

           

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