Donos de um som visceral, a banda Punho de Mahin é o destaque do Sintonizando desta semana.
Formado por Natália Matos (vocal), Camila Araújo (guitarra), Paulo Tertuliano (bateria) e Dú Costa (baixo), o quarteto é pura potência negra. Redesenhando a cena independente com um Afropunk de letras cortantes e posicionamento firme, a banda traduz o descontentamento social em uma sonoridade crua e magnética.
Vem sintonizar com Punho de Mahin!
Para começar, contem como foi o encontro entre vocês e o que motivou a formação da banda.
Antes da união, todos já éramos ativos na cena, integrando diferentes projetos e dividindo palcos com frequência. A primeira formação, que durou pouco menos de um ano, contava com o baixista André Luiz (Ódio Brutal), Natália Matos (Condenados), Camila Araújo e o baterista Paulo Tertuliano. À exceção de Paulo, que vinha da capital paulista, todos integravam bandas punk do ABC Paulista.
A ideia surgiu quando Natália, parada há quase um ano após deixar a Condenados, decidiu iniciar algo novo em uma conversa despretensiosa com Camila. Foi nesse processo de busca que nos encontramos: quatro punks pretos movidos pela mesma urgência de fazer som. Já na segunda formação, convidamos Dú Costa (B-Cap), cuja chegada foi essencial para temperar e consolidar a identidade da Punho de Mahin.
Qual foi a sensação de levar o discurso e a sonoridade de vocês para o palco do The Town? O que essa apresentação representou?
Furar a bolha do underground mais rústico que se possa imaginar para tocar em um festival desse porte é, sem dúvida, um misto intenso de emoções. Foi lindo demais! Jamais imaginamos estar ali.
Não sabemos se virão outros palcos dessa dimensão, mas esta tem sido uma das grandes experiências que a banda vem vivendo desde a abertura para o Bikini Kill, na Áudio. Ocupamos espaços sem concessões: não mudamos nossa postura nem suavizamos nosso discurso para estar em qualquer palco que seja.
As letras da banda abordam temas como protagonismo negro, racismo estrutural, machismo, repressão a minorias e violência policial. Como esse posicionamento tem sido recebido?
No meio punk/hardcore, esses temas sempre foram articulados através de diversas linguagens. Talvez o maior impacto não seja para os nossos, mas para quem está fora dessa bolha — pessoas que não estão acostumadas a ouvir a música como ferramenta de protesto, ou o próprio protesto manifestado em forma de arte.
Para este ano, o que os fãs podem esperar? Há algum lançamento ou projeto especial a caminho?
A ansiedade é grande com a chegada do nosso novo álbum: Entre a Penitência e a Ruptura. Gravado no Red Star Studio, o disco conta com a produção assinada por Clemente Nascimento e sai pelo selo Deck. Disponível desde o dia 27 de fevereiro, o trabalho marca um novo capítulo na trajetória da Punho de Mahin, consolidando nossa sonoridade e nosso discurso.
Como vocês avaliam a parceria com a Abramus? De que forma a associação tem contribuído para a proteção das suas obras?
Só entendemos a real importância de órgãos como a Abramus quando a gravadora chegou junto. Fomos atrás de entender o processo, e o suporte da Vanessa foi fundamental nesse caminho. Isso nos dá segurança para focar no que realmente importa: o que sentimos e transformamos em arte, que é o nosso verdadeiro patrimônio.