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A voz das mulheres

Leilah Assumpção traduziu os pensamentos femininos em suas peças e tornou-se a porta-voz, rompendo paradigmas de uma época

Em 18 de julho de 1943 nascia em Botucatu, interior de São Paulo, Leilah Assumpção, que pouco mais de 20 anos depois começaria, de forma incansável, a levar as questões femininas para os palcos brasileiros. Um ato de coragem e ousadia, já que naquela época a repressão política e social calava as mulheres.

No decorrer de seus 44 anos de carreira, a dramaturga e pedagoga tratou em suas obras os temas referentes à mulher e sua situação na sociedade sem disfarces. Hoje, é considerada um dos principais nomes da dramaturgia brasileira, assinando peças aplaudidas tanto pelo público quanto pela crítica. Com Fala Baixo Senão eu Grito e Adorável Desgraçada ela ganhou o prêmio Molière e da Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT).

Em suas declarações, Leilah conta que ainda menina, no quintal da casa em Botucatu, brincava com as amigas de fazer cirquinho. Ela cuidava de escrever, montar o cenário, enfim, dar os primeiros passos na carreira. Em sua cidade natal fez teatro infantil amador, encarnando a princesa da peça O Casaco Encantado, da Lúcia Nenedetti.

“A primeira vez que pisei no palco quase morri, mas depois não queria mais sair. O queeu queria mesmo quando crescesse era ser famosa, tinha coisas a dizer e para isso precisava ser famosa” contou em sua biografia A Consciência da Mulher, escrita por Eliana Pace.

Quando veio estudar em São Paulo, ela morou em uma pensionato na Avenida Angélica, onde estabeleceu laços de amizade com pessoas politizadas, como Samuel Wainer, quem descreve como “um grande homem, inteligente, um gentleman e o maior galanteador que conheceu”. Foi por meio dele que conheceu a história de Getúlio Vargas, contada dezenas de vezes pelo amigo.

Na capital do estado, Leilah estudou desenho, publicidade, moda e teatro. Com o dinheiro do primeiro salário como desenhista de moda de Madame Boriska comprou uma máquina de escrever. Foi nela que, em uma noite, concebeu Fala Baixo Senão Eu Grito. Antes disso, viveu um tempo nas passarelas, como manequim, desfilando para nomes famosos como Pierre Cardin, Paco Rabane entre outros.

O primeiro sucesso

Em Fala Baixo ela narra a história de uma solteirona que está em seu quarto no pensionato, quando entra um ladrão e acaba com todos os sonhos e ilusões. Os personagens foram inspirados nas mulheres que conheceu no pensionato. A peça estreou em São Paulo em 1969, dirigida por Clóvis Bueno, e foi muito bem recebida pela crítica. Afinal, poucos apostavam na qualidade de uma obra escrita por uma famosa manequim do Dener.

Em uma primeira montagem, foi liberada com cortes, mas depois, na íntegra. Em 1972, depois de rodar pelo Brasil, foi montada em Bruxelas, na Bélgica, e acabou rendendo a Leilah uma menção especial da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais pelo recorde de permanência de peça brasileira no exterior. Por conta do sucesso, ela deixou a carreira de manequim e abraçou a dramaturgia.

Assim, em 1970 resolveu dar voz aos conflitos amorosos de um jovem em Jorginho, o Machão – o retrato de um homem que convivia com inúmeras dúvidas profissionais e amorosas. “Jorginho era um homem frustrado, quase um bebê que não sabia o que queria – por incrível que pareça, um homem de hoje, tanto que acredito que não mexeria em nada do texto”, escreveu Leilah.

Com Amanhã, Amélia, de Manhã, a dramaturga não repercutiu o sucesso de suas duas primeiras criações. Então, em 1975, foi reestruturada por Antônio Abujamra e rebatizada de Roda Cor de Roda, com Irene Ravache no papel principal. A nova roupagem tornou a peça um sucesso, ganhando montagens no Brasil e no exterior.

A obra de Leilah marcou a dramaturgia nacional, expressando as questões femininas sem pudor ou constrangimento. Além das peças, escreveu para televisão: Venha Ver o Sol na Estrada (1974), Um Sonho a Mais (1984), a minissérie Avenida Paulista (1985), entre outros trabalhos. Intimidade Indecente (2001) também entrou para a galeria de sucessos de Leilah. A estreia foi vista por milhares de pessoas. A peça foi reconhecida com vários prêmios, entre eles o de autora, da Associação Paulista dos Críticos de Arte de 2001, e montadas em diversos países.

Por Linhas Comunicação
Revista Abramus, Edição 24

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