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Sintonizando com Kaique

O Sintonizando desta semana recebe Kaique, que dá a largada na carreira solo com a primeira parte do projeto “Sobre Corações”.

Planejado em três etapas, o trabalho traz um repertório intimista de quatro faixas guiado por vivências pessoais e com faixa-título dedicada à memória de seu pai. Na entrevista a seguir, o cantor fala sobre autonomia artística, próximos lançamentos no formato audiovisual e o valor de contar com o apoio da Abramus na proteção de seus direitos.

Vem sintonizar com Kaique!

“Sobre Corações” chega como um trabalho romântico e sentimental, acompanhado por uma estética visual minimalista e intimista. Musicalmente, como você trabalhou as composições e os arranjos para traduzir essa proposta?

Escutei tudo com bastante calma, sem pressa, dando ouvidos ao meu próprio coração. Queria ouvir algo que me tocasse de verdade. Há músicas que escutamos e gostamos porque têm um refrão legal ou uma melodia bacana, afinal, consumimos muita coisa no dia a dia. Mas eu buscava algo que realmente prendesse a minha atenção. Quando ouvi essas quatro faixas, as letras me fisgaram imediatamente. “Coração Não é de Aço”, por exemplo, fala sobre uma tomada de decisão.

E é uma escolha difícil: quando você ama alguém e tem uma história forte, mas sabe que dar mais uma chance a esse amor é algo que pode desestruturar a sua própria vida. Acho isso muito intenso. São letras e músicas com as quais me conectei profundamente, talvez pelas minhas próprias histórias e vivências amorosas. Precisei sentir tudo antes de transmitir. Os arranjos também foram pensados assim: para que pudéssemos sentir cada nota. Buscamos toques expressivos e crescentes que, ao chegar no refrão, despertassem o desejo de colocar tudo para fora. Todo o projeto foi pensado com esse intuito: o de sentir.

O trabalho originalmente se chamaria “Coração Não é de Aço”, mas o nascimento de “Sobre Corações” acabou mudando os rumos do álbum. O que fez você perceber que aquela faixa deveria dar nome ao discos?

Escolhi “Sobre Corações” para dar nome ao disco como uma homenagem ao meu pai. Ele ouvia tudo o que eu gravava, mas era fascinado por aquelas músicas mais maduras e com letras mais complexas – justamente aquelas que, às vezes, sabemos que podem não ter um apelo comercial tão imediato.

Ele ligava a caixa de som e passava o dia ouvindo essas faixas. Quando ouvi “Sobre Corações”, o sentimento, a saudade e a lembrança dele vieram muito fortes. Tive a certeza de que seria uma música que ele passaria o dia inteiro ouvindo. Foi aí que decidi mudar. Como “Coração Não é de Aço” já tinha sido o single de lançamento, pensei: “Vou fazer isso por ele”.

Além disso, “Sobre Corações” é um nome muito forte porque tudo na vida gira em torno disso. Nossas ações, na maioria das vezes, estão ligadas aos sentimentos. Há quem diga ser mais racional, mas, no fim, é o coração que dita a regra do jogo: o quanto ele sente, sofre, entrega, enfrenta, supera e quer amar novamente. Ele está sempre no centro de tudo.

O projeto será apresentado em três partes, e a primeira já está no ar. O que pode ser adiantado sobre os próximos capítulos?

Tenho uma vontade enorme de lançar coisas novas. Minha carreira está recomeçando do zero; esse foi o meu primeiro trabalho, mas já não vejo a hora de apresentar o próximo álbum e a segunda parte de “Sobre Corações”. Agora, pretendo gravar um formato que dita as regras do mercado musical de hoje: um projeto audiovisual. Montei um repertório muito bacana com músicas que fazem parte da minha história e, acredito, da vida de todo pagodeiro também. É um repertório romântico, mas dançante, alto-astral e nostálgico, que faz a gente viajar no tempo. Mal posso esperar para gravar e mostrar para o público. Além disso, saímos com um projeto de quatro faixas e a ideia é completá-lo, transformando “Sobre Corações” em um trabalho integral. Hoje em dia, as estratégias de lançamento mudaram e vamos soltando o material em partes. Já estou preparando e ouvindo os guias dessa segunda etapa, conciliando com o planejamento do audiovisual. Ainda estou definindo nomes e estratégias, mas já consigo visualizar tudo na minha mente, e o repertório está incrível.

Depois de anos de trajetória fazendo parte de um grupo, como tem sido vivenciar a transição para a carreira solo?

Tem sido um desafio diário, em todas as áreas da vida, não só na música. Todo recomeço é difícil, mas não é uma dificuldade que paralisa, afinal, a decisão de mudar já foi tomada. A mim, pelo menos, o desafio move. Ele me impulsiona a conquistar coisas novas e a mostrar outras vertentes, revelando um Kaique mais intimista. Quando você faz parte de um grupo, acaba falando por todos, sempre no coletivo. Agora, tenho a liberdade de falar de mim e de trazer questões mais pessoais. Ao mesmo tempo que é desafiador, tem sido muito divertido. Gosto de colocar a mão na massa, de participar, entender como tudo funciona e estar inteirado de cada detalhe. A responsabilidade aumenta, mas é muito gratificante, porque você sonha, visualiza e sabe que depende de você fazer acontecer. Obviamente, hoje conto com um time incrível. São pessoas supercompetentes, alinhadas ao meu propósito e que sonharam esse sonho comigo. Isso torna tudo mais leve. Estou muito feliz com essa fase solo, construindo tijolinho por tijolinho, fazendo um trabalho de formiguinha para, de fato, recomeçar. Tenho certeza de que o público não perde por esperar para conhecer esse novo Kaique.

Como você avalia sua experiência com a Abramus até agora? Qual a importância de contar com uma entidade que protege os direitos autorais?

Minha avaliação da Abramus é nota dez, cinco estrelas! Estou muito feliz, aprendendo muito e gostando demais de todo o processo. É reconfortante saber que existem profissionais cuidando de nós, dos nossos direitos e do que fazemos com tanto amor.

Infelizmente, sabemos que há pessoas mal-intencionadas no mercado e nem sempre conseguimos estar em alerta o tempo todo. Por isso, é fundamental ter uma entidade que nos proteja e que acompanhe de perto aquilo que, na correria do dia a dia, não conseguimos dar a devida atenção. A experiência que tenho tido é exatamente essa: a de ser cuidado. E não é um cuidado qualquer, é um olhar humano, com muito carinho, o que tem sido extremamente gratificante. Espero que possamos estreitar esses laços cada vez mais. Quero continuar aprendendo e gravar fonogramas lindos. Musicalmente falando, desejo construir algo tão sólido que, daqui a alguns anos, a Abramus possa receber novos artistas e usar o meu trabalho e a minha história como exemplo.

           

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