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Sintonizando com Câmbio Negro

O Câmbio Negro é um dos grupos de maior relevância para a consolidação do rap nacional.

Fundado na Ceilândia (DF), o grupo iniciou sua trajetória no começo dos anos 1990 e, em 1993, lançou seu primeiro disco, “Sub-raça“. Desde então, construiu uma discografia marcada pelo combate ao racismo e pela representação das vivências e das dinâmicas das periferias brasileiras.

Ao longo de mais de três décadas de trajetória, a banda manteve a força de seu discurso e segue desenvolvendo novos projetos que reforçam sua importância na cultura de rua.

Vem sintonizar com Câmbio Negro!

Os 35 anos do Câmbio Negro foram celebrados com um festival gratuito que trouxe como pilares a acessibilidade, a inclusão e o fortalecimento da economia criativa periférica. Como foi articular todas essas frentes nos bastidores e por que era importante que essa comemoração tivesse esse alcance social?

Não foi fácil articular todas essas frentes, contatar as pessoas, empresas e técnicos envolvidos. Para este momento de comemoração dos 35 anos, fiz questão de trabalhar com pessoas extremamente competentes, mas que também fossem conhecidas e parceiras de longa data. O objetivo era realizar o evento da melhor maneira possível, em um ambiente de amizade, colaboração e comprometimento de todos.

Comecei a mobilizar a equipe muito tempo antes do festival. Na realidade, a intenção era ter realizado a celebração em 2020, quando o grupo completou 30 anos, mas fomos impossibilitados pela pandemia. Em 2023, dois anos antes da nova data, comecei a me articular, conversar com parceiros e buscar apoio financeiro. Enfrentamos diversas dificuldades no caminho, mas conseguimos concretizar a realização do projeto.

A Câmara Legislativa concedeu o título de Cidadão Benemérito de Brasília ao Rapper X, em uma sessão que também homenageou a trajetória do grupo. Qual é o peso de receber a honraria da capital?

O recebimento do título de Cidadão Benemérito e a homenagem prestada ao grupo me deixaram extremamente feliz, satisfeito, honrado e reconhecido como artista e cidadão que sempre trabalhou pela cultura Hip-Hop no Distrito Federal e no país.

Foi uma honraria muito significativa. A sessão solene foi belíssima, bem produzida e organizada, fruto da iniciativa do deputado distrital Max Maciel. A cada dia, o Estado e os órgãos governamentais passam a reverenciar a cultura Hip-Hop e a entender que nós desenvolvemos um trabalho sério, digno e correto, que ajuda a consolidar o gênero como cultura neste país.

O Câmbio Negro passou alguns anos afastado antes de voltar em 2018. O que motivou a decisão de colocar o grupo de volta na estrada?

O Câmbio Negro ficou vários anos afastado. Durante essa pausa, eu, o rapper X, ainda lancei dois discos solo e fiz participações especiais em diversos trabalhos, mas realmente não pretendia mais voltar aos palcos. Estava desiludido com vários fatores, principalmente em relação às dificuldades financeiras, porque só de tapinha nas costas e elogios a gente não vive, a gente não sobrevive.

Além disso, enfrentei um quadro de depressão e precisei parar por um tempo para reorganizar as ideias e repensar a vida. Em 2018, fomos convidados para nos apresentar nas comemorações do aniversário de Brasília. Antes disso, houve o Festival YO!, o GOG me convidou para subir ao palco com ele. Fizemos uma apresentação conjunta com a banda dele e, a partir daquela experiência, recuperei o entusiasmo de cantar e estar diante do público.

Aquele momento foi o ponto de partida para o retorno. A partir do show de aniversário de Brasília em 2018, estruturamos uma nova formação com integrantes que também são parceiros de longa data e decidimos retomar a caminhada na estrada.

Pensando no futuro, o que os fãs podem esperar? Há novos projetos, lançamentos ou outras novidades em preparação?

Temos diversos planos e projetos em andamento e seguimos na busca por recursos e verbas para viabilizá-los. Como artistas independentes, não contamos com empresários ou grandes patrocinadores corporativos, mas temos projetos concretos, como o lançamento de um single em vinil em parceria com a gravadora Vinil Brasil, de São Paulo, cujas tratativas já estão bem avançadas.

Também estamos trabalhando na criação de novas faixas e trabalhos inéditos, mas tudo gira em torno de recursos, o que não é fácil. Paralelamente, preparamos uma apresentação em Brasília em breve e retornaremos aos estúdios para ensaios. Buscamos sempre renovar o repertório e a dinâmica de cada show para evitar a mesmice. Como temos um acervo vasto, somando os três discos do Câmbio Negro e os dois trabalhos solos, o tempo limitado de palco nos eventos, geralmente de 40 minutos a uma hora, nos desafia a montar apresentações dinâmicas. Os fãs podem aguardar que em breve estaremos nos palcos novamente e estamos em busca de recursos para realizar esses projetos.

Falem sobre a experiência como titulares da Abramus. Fazer parte da associação oferece a proteção e o apoio necessários para a carreira musical de vocês?

Estou muito satisfeito em fazer parte da associação e com o suporte oferecido sempre que apresento uma demanda. O retorno é rápido e a equipe é extremamente prestativa, além de demonstrar profundo conhecimento técnico sobre o setor e o direito autoral.

É uma equipe qualificada, que domina o que faz e nos concede todo o respaldo necessário para a gestão da nossa carreira. Só tenho a agradecer pela parceria e por integrar o time da Abramus.

Fotos: Thaís Mallon | Cedidas pelo artista

Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas

           

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