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A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de pessoas e está transformando profundamente a forma como conteúdos são produzidos, distribuídos e consumidos. Em meio a essa rápida evolução tecnológica, uma pergunta ganha cada vez mais relevância: como garantir que a criatividade humana continue sendo reconhecida, valorizada e protegida?
Foi para responder a esse desafio que criadores, entidades de gestão coletiva, como a ABRAMUS e a AUTVIS, além de organizações culturais de diversas partes do mundo se uniram em torno do Compromisso de Paris, uma declaração internacional que defende princípios fundamentais para o futuro da criação na era da IA. A iniciativa foi apresentada durante a Assembleia Geral do centenário da CISAC, a Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores.
O documento propõe um caminho para que a inovação e os direitos dos criadores caminhem juntos. Entre seus principais pontos estão:
O debate não é apenas tecnológico. Trata-se de reconhecer que toda obra nasce de experiências, repertórios, visões de mundo e escolhas humanas. A tecnologia pode ampliar possibilidades, mas a criatividade continua sendo uma expressão essencial da cultura e da identidade das sociedades.
Ao reunir vozes de diferentes países e linguagens artísticas, o Compromisso de Paris reforça uma mensagem central: o futuro da inovação não deve enfraquecer o valor da criação humana, mas fortalecê-lo.
Leia abaixo a íntegra do Compromisso de Paris
O Compromisso de Paris
UMA DECLARAÇÃO COMPARTILHADA PELA CRIATIVIDADE HUMANA
A criatividade é o que nos torna humanos.
Ela molda nossa visão de mundo, nossa compreensão do próximo e a maneira como nos enxergamos. É central em nossas vidas. Impulsiona a cultura, movimenta economias e conecta pessoas através de fronteiras e gerações.
Em um momento em que os avanços rápidos da inteligência artificial ameaçam minar o valor do trabalho criativo, reafirmamos uma responsabilidade compartilhada: a criatividade humana deve ser protegida, respeitada e sustentada como uma força definidora da expressão, da cultura, da identidade e do progresso.
NESTE ESPÍRITO, NOS COMPROMETEMOS COM OS SEGUINTES PRINCÍPIOS:
Os criadores humanos são a fonte da expressão artística e da diversidade cultural. As histórias locais, idiomas, vozes e tradições são a força vital de comunidades vibrantes e diversas e jamais devem ser diminuídas.
O progresso tecnológico deve respeitar os direitos dos criadores por meio de transparência, licenciamento e remuneração justa. A IA deve apoiar a criatividade humana, não explorá-la.
Uma forte colaboração entre criadores, organizações de gestão coletiva, instituições culturais e parceiros da indústria é vital para garantir que os criadores possam prosperar e continuar contribuindo para a sociedade e a cultura.
As políticas e a regulação devem evoluir para defender os direitos dos criadores, garantir a responsabilização perante os titulares de direitos e proteger a diversidade e a integridade das expressões culturais.
Este é nosso compromisso compartilhado para garantir que as futuras gerações herdem um mundo onde a cultura continue sendo moldada pela imaginação e pela expressão humana.
Adotado em Paris no centenário da CISAC.