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Sintonizando com Colombiana

Com muita bagagem, rima e a força da maternidade solo, Colombiana chega no Sintonizando desta semana! 

Apesar dos desafios do corre, respeito e bagagem é o que não falta: na caminhada desde 2015, construiu seu nome nas batalhas de rima de improviso e fez história ao se tornar a primeira mulher a apresentar o Duelo de MCs e o Duelo de MCs Nacional. Desde então, Colombiana também assume as rédeas da sua trajetória — transformando sua lírica em um manifesto de identidade, sem filtro, sobre a quebrada e a vida como ela é.

Com o lançamento do single “Fui Eu”, ela coloca a perspectiva da mulher preta e mãe solo no centro de um debate que atravessa toda a sociedade. Com crueza e sensibilidade, o trabalho mergulha nos altos e baixos do corre diário, politizando o afeto e a sobrevivência na periferia.

Vem sintonizar com Colombiana!

O Duelo de MCs no Viaduto Santa Tereza é uma das principais referências das batalhas de rima em Minas Gerais. O que significou para você ser a primeira mulher a comandar a apresentação do evento e que impacto isso traz?

Para mim foi um marco. O Duelo de MCs faz parte da história do hip-hop brasileiro e eu tenho muito respeito por tudo que aquele espaço representa. Ser a primeira mulher na apresentação foi marcante, mas eu gosto de pensar que mais relevante do que ser a primeira é não ser a última.

Eu construí minha caminhada dentro da cultura, conheço aquele ambiente e estava preparada para assumir essa responsabilidade. Acho que o impacto foi mostrar que uma MC também pode ocupar o microfone de outras formas e comandar um dos maiores palcos do hip-hop nacional. E fica a lição: o impossível só é impossível até alguém fazer.

Além da atuação como MC e apresentadora, você também vive a maternidade solo. Como é conciliar essas diferentes responsabilidades no dia a dia?

Não é fácil, mas também nunca foi uma opção desistir. Sou mãe solo de dois adolescentes, o Davi e a Maria, e aprendi a construir minha carreira no meio da correria da vida real. Enquanto muita gente vê o palco, eu estou pensando em boleto, compromisso de escola, responsabilidade e tudo mais que faz parte da maternidade.

Ao mesmo tempo, meus filhos são o grande motivo de eu não parar. Eles acompanham minha caminhada de perto e sabem que nada do que a gente conquistou veio fácil. Acho que a maior lição que posso deixar para eles é essa: persistir, mesmo quando o caminho parece difícil.

O que tem sido mais desafiador, sendo uma artista independente no cenário do rap e do hip-hop,?

Acho que o maior desafio é justamente seguir em frente. Quem é artista independente sabe que não existe fórmula mágica. Muitas vezes, você é a artista, a produtora, a assessora, a social media e a pessoa que vai resolver os problemas do dia a dia da carreira.

Quando se trata da arte de quem vem da favela, as pessoas gostam do que a gente produz, mas nem sempre enxergam o nosso trabalho como algo profissional. Eu já precisei provar várias vezes que uma MC pode ocupar outros espaços — seja apresentando eventos, desenvolvendo projetos culturais ou representando a cultura hip-hop em ambientes que, historicamente, não foram pensados para nós.

Mas eu também sou muito grata pela caminhada que construí. Ver minhas músicas alcançando centenas de milhares de pessoas, ocupar palcos de peso e continuar vivendo daquilo que eu amo fazer me mostra que vale a pena insistir, mesmo quando o caminho parece mais difícil.

Após o lançamento do single “Mãe de Menina” em março, o público pode esperar alguma novidade nos próximos meses?

Com certeza. “Mãe de Menina” foi meu segundo lançamento oficial e um trabalho muito especial, porque fala de uma experiência que atravessa minha vida de forma profunda.

Em julho chega “Visão de Futuro”, uma parceria com o Hosken Beats. Eu não vou dar spoiler porque gosto que a música fale por ela mesma, mas posso dizer que é uma daquelas faixas que chegam dando tapa sem pedir licença. É um som necessário, feito para incomodar algumas pessoas e fazer outras se sentirem vistas. Eu estou apostando muito nesse lançamento e louca para colocá-la no mundo.

Como tem sido a sua experiência com a Abramus?

A verdade é que artista independente já tem problemas demais para resolver. A gente compõe, grava, divulga, corre atrás de shows, faz produção e ainda precisa entender um monte de coisas sobre direitos autorais. Então, ter uma instituição que ajuda a gente a organizar essa parte é essencial.

Para mim, a Abramus tem sido uma ferramenta de fortalecimento. Porque fazer música é fundamental, mas saber o valor daquilo que você cria também é. E nós, artistas periféricos, precisamos ocupar esses espaços de informação cada vez mais.

Foto principal: Cadu Passos | @cadu_passos. Fotos fundo: Pamela Bernardo | Cedidas pela artista 

Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas

           

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