

A maior associação de música e artes do brasil
Neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, olhamos para um palco que ainda está longe do ideal. Mesmo com a presença feminina sendo fundamental, o mercado musical segue majoritariamente masculino e com pouco espaço de protagonismo para elas.
Segundo o relatório “Mulheres na Música – edição 2026”, feito pelo ECAD, a realidade pouco mudou nos últimos anos: as mulheres representam apenas 10% dos beneficiados pela distribuição de direitos autorais.
A disparidade é ainda mais nítida quando olhamos para o topo da arrecadação: em 2025, a presença feminina entre os 100 autores com maior rendimento foi de 2%, uma diminuição em relação aos dois anos anteriores — 6% em 2023 e 5% em 2024.
Contudo, há um movimento de ocupação que não pode ser ignorado. No ano passado, o número de novas mulheres cadastradas no banco de dados da gestão coletiva saltou para 54 mil — um crescimento de quase cinco vezes em relação ao ano anterior, quando houve 12 mil novos cadastros.
Esse fôlego novo se reflete também no bolso: o rendimento total destinado às mulheres cresceu 33% em apenas um ano, atingindo a marca de R$ 100 milhões, mas que ainda é muito baixo comparado aos R$ 1 bilhão da arrecadação total de direitos autorais para pessoas físicas.
O mesmo acontece no streaming. No ranking de 2025 da Pró-Música Brasil, apenas seis cantoras estão no Top 50, evidenciando os obstáculos para que as vozes femininas alcancem a visibilidade que merecem.
Para a Abramus, que representa e valoriza todas as suas titulares, esse cenário está longe do ideal. É necessário compreender e transformar as estruturas que ainda limitam o protagonismo feminino, garantindo que o talento das mulheres se traduza em oportunidades reais e remuneração justa.
Que esta data reforce o que ainda precisa ser feito: transformar a música em um espaço de oportunidades mais equilibradas — para que a nossa indústria reflita a pluralidade de quem a constrói.
Acesse aqui o relatório completo do ECAD e confira mais informações.
Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas