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O mergulho de Ana Beatriz Nogueira no universo de Clarice Lispector

Por Belinha Almendra

Leitora voraz de Clarice Lispector desde pequena, a atriz, diretora e produtora Ana Beatriz Nogueira estreia a curta temporada da performance teatral A Procura de uma Dignidade em São Paulo, em 6 de março. A montagem fica em cartaz até 29 de março, no novo teatro YouTube, depois de passar pelo Teatro Laura Alvim, no Rio de Janeiro, no fim de 2025.

Originalmente publicado no livro Onde Estivestes de Noite? (de 1974), A Procura de uma Dignidade conta a história da senhora B. Xavier, uma mulher que pretendia assistir a um evento, mas vai parar, por engano, nos corredores subterrâneos do Estádio do Maracanã. O monólogo de Ana Beatriz Nogueira se baseia na adaptação de Leonardo Netto e tem direção de Gilberto Gawronski. Conversamos com a atriz, uma das mais premiadas e reverenciadas de sua geração, sobre mais esse mergulho no universo de Clarice Lispector, escritora e jornalista de origem russa radicada no Brasil desde a primeira infância.

Você já havia encenado Um Dia a Menos. O que mais atraiu você no conto A Procura de uma Dignidade?

Esse é mais um conto pelo qual eu sou completamente apaixonada. Sempre tenho vontade de levar os contos de Clarice Lispector para o palco, é como se eu pudesse lê-los juntamente com a plateia. E também dizer qual foi a minha leitura desses contos por meio das artes cênicas, que é a forma pela qual eu me expresso. Clarice é uma escritora que brinca com as palavras, e A Procura de uma Dignidade é um conto que dialoga com todos nós, em algum momento de nossa vida. Fala de muitas coisas que me tocam profundamente. Eu espero também incentivar a leitura de Clarice Lispector ao fazer uma performance de um de seus contos. É muito provável que eu venha a encenar muitos outros textos dela, que é sempre uma fonte riquíssima de inspiração para mim.

 Estar sozinha em cena é especialmente desafiador? 

A partir do momento em que o público chega, eu já não estou mais sozinha. Mas, no sentido da contracena, é sempre desafiador, até porque eu amo estar em cena com outra atriz, com outro ator. Nesse caso, a adaptação foi feita para ser encenada por uma só pessoa.

É desafiador também levantar uma produção, um espetáculo, poder fazer o que você tem vontade, sem se preocupar se é comercial ou não. Ainda que seja só entretenimento, que seja também capaz de fazer pensar, de provocar. Não quer dizer que não possa ter um público imenso, mas que seja uma escolha mais delicada, mais desafiadora e, certamente, com muita qualidade.

Só em não atrapalhar o texto que Clarice escreveu, eu acho que já faço bastante. E poder dividir essa beleza com quem nunca leu e vai sair dali para procurar contos de Clarice, ou mesmo com quem conhece, mas quis ouvir a minha leitura, e a do diretor, para aquele determinado conto.

Depois de passar pelo Rio, a montagem chega a São Paulo, no novo teatro YouTube. Houve alguma mudança ou adaptação para a temporada paulista? 

A montagem, que fica em cartaz em São Paulo até 29 de março, permanece igual à que eu fiz no Rio. Estou chamando de performance porque ela dura cerca de 45 minutos, um pouco menos do que o tempo de um espetáculo teatral. Nesse caso, não teria por que estar em cena além desse tempo sem precisar inventar qualquer coisa que viesse a ferir o texto de Clarice. Então, é importante esclarecer o público que será uma performance, com a duração exata que o texto pede.

Clarice Lispector tornou-se quase um ícone pop depois de sua morte, há quase meio século (1977). Na sua opinião, o que torna tão longeva a obra da escritora?

O que faz os textos de Clarice Lispector terem chegado com tanta força até aqui – e de seguirem sempre, em direção ao futuro – é o fato de ser atemporais. Eles falam com a gente. Sempre haverá um sentido em ler um texto de Clarice: seja literalmente, seja em adaptações para outras expressões artísticas.

Arte: Júlia Sousa | Foto: Nil Caniné

           

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