

A maior associação de música e artes do brasil
A Deezer anunciou a abertura ao mercado de sua tecnologia de detecção de músicas geradas por Inteligência Artificial. Após um ano de uso operacional em sua própria plataforma, a empresa agora licencia a ferramenta para concorrentes e parceiros da indústria, visando enfrentar o volume crescente de faixas produzidas integralmente por algoritmos.
Os dados da companhia revelam a escala do desafio: em 2025, cerca de 39% dos uploads diários — aproximadamente 60 mil faixas — já são de origem sintética. No total, a Deezer já detectou e etiquetou mais de 13,4 milhões de músicas desse tipo apenas este ano.
A iniciativa foca na integridade do ecossistema digital e no combate a práticas fraudulentas. Com a detecção, a Deezer desmonetiza reproduções consideradas irregulares e redistribui os recursos do fundo de royalties, direcionando-os a artistas e compositores humanos. Além do impacto financeiro, a tecnologia interfere nos sistemas de recomendação, reduzindo a exposição de faixas produzidas em larga escala e preservando o equilíbrio entre criações automatizadas e obras feitas por pessoas.
Até agora, a empresa tem sido a única do setor a marcar e excluir claramente músicas de IA das recomendações, um esforço para impedir que fraudadores se apropriem de direitos autorais de artistas reais por meio da produção massiva desse tipo de conteúdo.
O movimento ocorre em meio a preocupações crescentes sobre empresas que treinam seus modelos com material protegido e sobre governos que podem flexibilizar legislações para acelerar o desenvolvimento da IA. No Brasil, a Abramus posiciona-se na linha de frente do debate, levando essa discussão ao Congresso Nacional. A entidade trabalha ativamente pela regulamentação da tecnologia e pela proteção da propriedade intelectual, mantendo-se firme na missão de defender os criadores e garantir sua justa remuneração.
Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas