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Sintonizando com Erick Jay

Dono de cinco títulos mundiais, Erick Jay é a autoridade máxima quando o assunto são os toca-discos. O mestre das pickups é o destaque do Sintonizando desta semana. Com uma trajetória que começou na década 90— época em que o Hip Hop enfrentava uma forte marginalização, ele transformou os desafios em combustível para sua arte.

Nascido da Zona Leste de São Paulo, Erick não apenas rompeu barreiras geográficas, mas levou o nome do Brasil ao topo do planeta. Seu legado é tão significativo que foi celebrado na avenida pela Vai-Vai, a maior campeã do Carnaval paulistano, em um desfile histórico para a cultura urbana.

Além dos palcos, hoje ele também conecta a cena como apresentador do Gringos Podcast, entrevistando grandes personalidades com a propriedade de quem vive o “corre” de perto. Erick Jay é história, é resistência e é o puro impacto da música brasileira.

Vem sintonizar com Erick Jay!

Como é, para você ter saído da Zona Leste de São Paulo e, hoje, viajar o mundo como o DJ mais premiado da América do Sul?

Para mim, é muito gratificante. No começo da minha trajetória no Hip Hop, eu era muito discriminado. “A maioria das pessoas aqui da região achava que eu tinha tudo para ser um ‘cara errado’. Sofri muito preconceito por ser um neguinho que andava com o pessoal do Hip Hop — um movimento que, na época, era marginalizado. Mas hoje sou motivo de orgulho para toda a minha família.

No começo eles não acreditaram, mas hoje sou um exemplo de vitória na minha quebrada. Sou um exemplo de superação. Sair da Zona Leste para ser o melhor DJ da América do Sul e, depois, do mundo, é um orgulho real. Fico muito feliz com esse resultado que conquistei como profissional.

Em 2012, você foi indicado Global Spin Awards, em Nova York. O que mudou na sua carreira — e na forma como o mercado passou a te enxergar — após essa conquista internacional?

A indicação para o Global Spin Awards foi muito legal, mesmo que aqui no Brasil essa premiação não tenha tanto reconhecimento quanto lá fora. Mas acho que a visibilidade mesmo veio depois do meu primeiro título mundial.

Foi ali que as pessoas quiseram saber mais; os promoters e os contratantes se interessaram muito mais pelo meu trabalho. Ali o horizonte começou a se expandir, o leque abriu e as coisas realmente foram acontecendo para mim. Acredito que foi o ponto de virada, porque eu já tinha sido campeão nacional muitas vezes, mas o título mundial tem outro peso. Foi ali que as portas se abriram de vez.

Você foi homenageado na ALESP no Dia Internacional do DJ. Como é ocupar espaços como esse? E qual a importância desse reconhecimento?

Foi muito importante estar na Alesp; fui homenageado umas duas ou três vezes. É o reconhecimento que a galera da cultura tem por quem está fazendo de verdade pela arte. Esse apoio de quem realmente vive a cultura e sabe quem está fazendo o ‘corre’ pela arte é muito importante.

É curioso porque, muitas vezes, as mídias que eu gostaria que estivessem me entrevistando — inclusive a mídia preta, que às vezes não dá o devido valor — acabam não acompanhando. Mas o reconhecimento vem de outros lugares. No Hip Hop, fiquei até assustado com a importância que deram ao meu título mundial.

Ser homenageado em lugares como a Alesp é muito legal, pois mostra o respeito de quem não faz parte do seu eixo. Eles sabem que sou um DJ batalhador, que saiu de um país de Terceiro Mundo para brilhar num país de Primeiro Mundo, enfrentando potências mundiais de DJs sem estrutura nenhuma. Isso é um reconhecimento gigante. Às vezes sinto que, se eu fosse de outro gênero musical mais comercial, a visibilidade seria ainda maior.

O Gringos Podcast hoje é uma referência. Como tem sido essa experiência e o que esse ‘lugar de escuta’ tem ensinado?

Começamos ali na pandemia, a convite do Harry e do Ney. Fui fazer um teste e já fiquei. Eu sempre gostei de entrevistar artistas. Quando trabalhava no Manos e Minas, programa da TV Cultura, eu tinha um quadro chamado ‘Erick Jay Apresenta’, onde também entrevistava a galera. Mas ali o formato era um pouco limitado.

Já no Gringos, não. O que eu gosto mesmo é de perguntar coisas mais a fundo: entender o ‘corre’ real, as dificuldades para gravar um disco, um DVD ou escrever um livro. O que um artista enfrenta para mudar uma geração é algo que ninguém imagina. É muito gratificante ver o quanto os e as MCs, DJs, grafiteiros e dançarinos batalharam para que as novas gerações soubessem aproveitar.

Eu, que sou dos anos 90, vi o preconceito pesado contra o Hip Hop e o quanto essa galera lutou para estar onde está hoje. Gosto de conhecer a pessoa a fundo; no Gringos a gente pode conversar de forma mais aprofundada, nessa linguagem de igual para igual.

Em 2024, a Vai-Vai levou o hip hop para o Anhembi, e você estava lá sendo homenageado. Como foi ver uma das maiores escolas de samba de São Paulo reverenciar sua trajetória e o movimento que você ajuda a construir?

Nunca imaginei ser homenageado por uma escola de samba, ainda mais pela Vai-Vai, a maior campeã de São Paulo. Para mim foi um susto; quando soube dos rumores de que escolheriam um DJ, nem passava pela minha cabeça que seria eu.

Eu estava levando meus pais para Santos quando recebi o convite. Um dos diretores me mandou mensagem e explicou que a escola ia homenagear a história dos 40 anos do Hip Hop no Brasil e no mundo — mas com um foco maior no nosso cenário — e que me escolheram para representar a cultura dos DJs. Fiquei de boca aberta!

Perguntei por que tinham me escolhido e soube que, na votação da curadoria, tive algo em torno de 98% dos votos. Ainda brinquei com ele: ‘Tô famoso, diretor!’. E foi muito legal, mas na hora fiquei até assustado. Ele me ligou para pedir a autorização e para que eu assinasse uma carta confirmando que eu ia, mas quando ele me mandou a foto, vi que o carro já estava até sendo feito! Foi uma das maiores conquistas da minha vida e, tamanha a grandeza, até hoje a ficha não caiu, pois foi algo que todo mundo viu.

O mais incrível foi estar ao lado de vários artistas de quem sou fã, os verdadeiros pioneiros e pioneiras naquele carro. Aí, quando ensaiamos, peguei o samba-enredo em uma semana e foi aquela emoção, né?

Agora, fiquei um pouco chateado com a transmissão da Globo… senti que eles não souberam explicar direito e acho que faltou carinho com a Vai-Vai. Eu avisei minha família inteira, levei todo mundo, mas na hora a TV não deu os detalhes; não mostraram o carro como fizeram com as outras escolas e não deram a devida atenção. Mas, apesar disso, o mais importante é o que fica: o fato histórico. Sem palavras.

Como tem sido sua experiência com a Abramus? Você sente que seus direitos autorais estão mais protegidos?

Estou muito feliz com as minhas expectativas em relação à Abramus. Quando eu me filiei certinho e regulamentei toda a documentação necessária, eu realmente vi o resultado acontecendo.

 Acredito que todo artista tem que ser filiado, porque você passa a ter o controle da sua obra; você vai lá e faz tudo bonitinho e organizado. Isso é fundamental para o amadurecimento e para a dinâmica da vida do artista. Eu, que só faço participações e tenho obras pontuais, já me sinto completo desse jeito, mas projeto um futuro ainda maior quando lançar meus próprios discos autorais. Esse suporte foi um divisor de águas no meu direcionamento profissional.

Arte: Júlia Sousa | Texto: Barbara Freitas

           

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