

A maior associação de música e artes do brasil
Aos 80 anos, Ivan Lins celebra uma trajetória que segue viva, inquieta e renovada. Em plena atividade com turnê, biografia, documentário e novos álbuns, o compositor revisita sua história enquanto reflete sobre criação, legado e o futuro da música.
Do início nos festivais dos anos 1970 às plateias lotadas de hoje, Ivan mantém o mesmo impulso que marcou sua obra: cantar como quem compartilha vida e esperança. Ao lado dos filhos, Cláudio e João — diretor artístico e produtor executivo da turnê “80 Anos” — ele transforma o palco em um encontro de gerações.
O espetáculo é, ao mesmo tempo, uma retrospectiva e uma promessa: o reencontro de um artista com suas canções e com as pessoas que fizeram parte dessa história.
“Eu amo o que eu faço, amo, amo, amo, e sempre compus a partir de mim, da minha verdade, do meu sentir. Acredito que é essa sinceridade que me conecta ao público. A música precisa me representar, porque ela é a alma do artista. E, quando ela nasce verdadeira em mim, encontra verdade em quem me escuta”, diz Ivan Lins.
Sem autor, não há música
Ivan Lins tem sido uma presença constante nas discussões sobre direitos autorais e a valorização do criador brasileiro desde os anos 1980, e reforça que “a arte só é livre quando o artista é respeitado”. Ele é um dos diretores da Abramus – Associação Brasileira de Música e Artes, que representa mais de 125 mil artistas na música, artes cênicas e visuais –, e atuou diretamente em debates junto ao ECAD, ao Congresso Nacional e a associações internacionais que representam compositores.
“A Abramus sempre lutou para melhorar a realidade do direito autoral no Brasil, tentando reverter um sistema injusto que prejudica os criadores. Mas é uma batalha difícil: nem todas as sociedades arrecadadoras caminham na mesma direção. Estou nessa luta há quase cinquenta anos, e sigo acreditando no trabalho da associação. O desafio é garantir uma distribuição justa para quem cria”, defende. Para ele, cabe às novas gerações compreenderem o valor da autoria para que a música exista como expressão — e não apenas como produto.
Legado e futuro
Criador de mais de 800 canções, gravado por nomes como Quincy Jones, George Benson e Barbra Streisand, Ivan celebra também a preservação de sua memória: seu acervo pessoal foi doado ao IEB/USP e ao MIS, garantindo acesso futuro a manuscritos, registros e processos criativos.
Mesmo com a agenda intensa, ele lança novos projetos — um disco de sambas pelo SESC e um álbum de inéditas. E segue sonhando: parcerias com jovens artistas, discos temáticos e obras instrumentais estão entre seus próximos passos.
“Minha cabeça não para. Graças a Deus ainda tenho esse impulso de sonhar. ‘The dream is not over’ (o sonho não acabou), como diria John Lennon, e espero que não acabe tão cedo”, diz. Aos 80, Ivan comprova que a arte não envelhece — amadurece.
A matéria completa você lê em breve, na próxima edição da Revista Abramus.
Texto: Dani Turano | Foto: Leo Aversa

Foto: Ricardo Nunes