Hateen
Release
Hateen
Procedimentos de Emergência
No final de 2005, uma pergunta circulou pela Internet, MTV e também pelas principais ruas e avenidas de São Paulo e do Rio de Janeiro por meio de cartazes – os famosos lambe-lambes – colocados nos muros: “Onde você estava em 1997?”. A indagação foi logo desvendada por meio da canção “1997”, o primeiro single do novo álbum do paulistano Hateen, Procedimentos de Emergência, lançado pela Arsenal Music / Universal Music, em abril de 2006.
A música, logo de cara, invadiu a programação das rádios de pop rock de todo o País e o clipe – dirigido por Mauricio Eça, Tony Tiger e Fabrizio Martinelli (guitarrista da Banda) – chegou ao primeiro lugar do Top 20 Brasil da MTV e recebeu indicação no VMB 2006, na categoria Escolha da Audiência (a principal categoria da premiação).
O sucesso da canção fez com que os fãs aguardassem com grande expectativa pelo lançamento do novo álbum (que ocorreu em abril). E ao mesmo tempo em que o CD chegou às lojas, o grupo começou a trabalhar o novo single, “Quem já Perdeu um Sonho Aqui?”.
Produzido por Rick Bonadio, o sexto trabalho do Hateen – a banda já havia lançado anteriormente o álbum ao vivo More Live Than Dead (2002), o EP Feeling Like Nick (98) e três CDs de estúdio: Hydrophobia (94), Dear Life (2000) e Loved (2004) – apresenta algumas mudanças em relação a seus outros discos. Não necessariamente no som, que continua seguindo praticamente a mesma fórmula que projetou o conjunto: punk rock, hardcore e indie rock.
O grande diferencial de Procedimentos de Emergência está nas letras, que agora passaram a ser escritas em português em vez do inglês. “Ao longo de mais de 10 anos, nós nos sentimos bem compondo apenas em inglês”, afirma o vocalista e guitarrista Rodrigo Koala. “Chegou um momento que encaramos o fato de compormos em português como um desafio maior do que todos que já tínhamos encarado na vida. Sendo assim, decidimos dar um passo adiante rumo ao desconhecido, ao que temíamos na busca de renovação e uma melhor identidade para com um público maior do que aquele já acostumado ao nosso som.”
Para quem não conhece muito a carreira do Hateen (iniciada em 94), pode achar que a banda tenha encontrado sérias dificuldades ao mudar o idioma de suas letras. Mero engano. Apesar de ser o primeiro trabalho cantado em português, compor em nossa língua não é nenhum desafio para o “hit maker” Rodrigo Koala. Afinal, o guitarrista e vocalista do Hateen (que também faz parte do Street Bulldogs) é o “pai” de vários sucessos da banda co-irmã CPM22 como “Um Minuto Para o Fim do Mundo”, “Irreversível” e “Não Sei Viver Sem Ter Você”.
Todas as letras de Procedimentos de Emergência foram compostas por Rodrigo Koala, com exceção de “Se Um Dia Lembrar de Mim” – na qual o vocalista assina a canção em parceria com Sonrisal (baixista da banda) e Sandro Luiz (Banda Aditive) – e “Ilusões”, escrita pelo fundador do Hateen e baterista do CPM22, Ricardo Japinha (que deixou o Hateen em agosto, para entrada de Xim).
Para completar, o Hateen conta com Fabrizio Martinelli na guitarra, eleito “Guitarrista dos Sonhos” na edição 2006 do Vídeo Music Brasil.
As 14 faixas do novo CD – 13 inéditas, além da regravação de “Danger Drive”, incluída originalmente no álbum Dear Life – seguem basicamente o tema do amor. As músicas refletem os sabores, a paixão, os desgastes e o término de um relacionamento. Mas, Rodrigo Koala faz questão de mostrar as diferenças entre as canções do Hateen com as compostas pelos chamados grupos de emocore.
“Não me incomodava com este rótulo antes de emo ser sinônimo de moda. Hoje em dia incomoda sim, porque o que nós (e muita gente) fazíamos de coração, atualmente as pessoas fazem por dinheiro ou para poder aparecer. Acredito que somos uma das primeiras bandas a ser rotulada de “emo” no Brasil, quando tudo isso começou a acontecer aqui há sete ou oito anos. Hoje, “emo” virou sinônimo de música ruim e chorosa e o Hateen não tem nada a ver com isso. Somos uma banda de rock que fala de sentimentos e energia. Não temos vergonha de cantar sobre amores despedaçados, mas também cantamos o lado mais sombrio disso tudo: a perda, a dor e não apenas o lance colegial de amorzinho via Internet que é praticado na maioria das letras que vejo hoje em dia nos grupos considerados “emos”.
Não gostamos deste rótulo. Preferimos apenas que seja rock. É como nos vemos no cenário atual.”
Segundo Koala, a inspiração para compor as músicas surge de duas principais fontes: seus pensamentos e suas experiências pessoais. “Muitas vezes um filme, uma outra música podem me inspirar. É bem difícil prever de onde irá surgir a inspiração para uma canção com antecedência. Também não sigo fórmulas do tipo fazer melodia e depois a letra e vice-versa. As coisas vão acontecendo de forma bem inexplicável e sem previsão. Uma única frase pode me dar mais de cinco letras de músicas, assim como cinco páginas de letras podem não me dar uma única frase que eu gostaria realmente de usar numa música. É uma busca incansável por momentos, por frases e por sonoridades que possam ajudar a expressar o conteúdo real de uma música e toda sua beleza, raiva ou doçura.”
Procedimentos de Emergência é isso. Reflete bem o clima de emergência criativa e de mudança que o Hateen enfrenta hoje em dia. Representa a vontade de mudar, de crescer. Representa a necessidade de adotar os “procedimentos de emergência” para que tudo isso aconteça.
Formação:
Rodrigo Koala (vocal e guitarra)
Xim (bateria)
Sonrisal(baixo)
Fabrízio Martinelli (guitarra)
Discografia:
Blind Youth (Demo) 94
Hydrophobia (CD) 94
Feeling Like Nick (EP) 98
Dear Life (CD) 2000
More Live Than Dead (CD Ao Vivo) 2002
Loved (CD) 2004
Procedimentos de Emergência (CD) 2006
Informações:
www.hateen.com.br
www.arsenalmusic.com.br
Acompanhe abaixo um faixa-a-faixa feito por Rodrigo Koala sobre as 14 canções de Procedimentos de Emergência
“Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui?”
Essa música foi a última que fiz e era para encerrar o CD. Ela tem uma pegada mais punk rock, Green Day, que é uma outra banda que a gente admira muito. Fala sobre a cumplicidade das pessoas que já perderam um sonho. Fala sobre como é fácil entender a dor de alguém que perdeu um sonho. Queria mesmo, com essa letra, dizer para o nosso público: “vocês já perderam seus sonhos? Eu também. Então vamos dançar juntos e passar por cima de tudo isso”. É o segundo single do álbum.
“Tudo Fora do Lugar”
Uma das músicas mais pesadas que já fizemos. Fala sobre a perda de valores das pessoas em relação ao dinheiro. Fala sobre as pessoas venderem suas vidas barato demais e não poderem voltar atrás dessa decisão depois de perceber que foi o maior erro de suas vidas. Tem uma melodia bem agressiva e me lembra um pouco Therapy?, que é uma banda que adoramos também.
“Não Vá”
Uma música bem confessional que trata sobre a distância entre duas pessoas. É um pedido de socorro e, ao mesmo tempo, uma despedida. Foi uma das primeiras músicas que terminei para o CD. Tem um refrão bem simples. Tudo isso foi saindo sem querer e acabou ficando muito legal. Lembra Foo Fighters e Jimmy Eat World.
“1997”
Essa música é bem pessoal. É uma balada, que foi composta no violão. No estúdio, toda vez que tentávamos adicionar mais peso, ela ficava ruim. Chegamos a conclusão que ela seria mesmo uma balada no CD. Em todo o álbum você não irá encontrar nenhuma outra música parecida com ela. O mais curioso da música é que ela não tem refrão. É bem “diferentona” e, mesmo assim, foi escolhida para ser nosso primeiro single.
“Inferno Pessoal”
Essa música fala sobre, como o nome mesmo diz, o inferno pessoal de cada um. Não quis citar muitos acontecimentos na letra para deixar cada pessoa pensar no seu próprio inferno pessoal ao ouvir a música.Ela começa baladinha e vai ganhando força, como um desabafo. Por fim, vira quase um sussurro. É bem comum a gente fazer músicas com essa dinâmica. Marca registrada total do Hateen.
“Se Um Dia Lembrar de Mim”
Essa música foi o Sonrisal e o Sandro, do Aditive, que fizeram a maior parte das melodias. Dei uma reorganizada em algumas partes da melodia e fiz uma letra depois, que fala sobre aquelas pessoas das quais esquecemos e, de repente, depois de muito tempo, lembramos do nada e não sabemos o que dizer sobre elas, pois elas acabaram virando apenas uma lembrança. Gosto muito dessa música. É bem legal porque ela tem uns “lances” de guitarra mais indie. Tudo isso junto a um baixo e a uma bateria bem marcantes. É um rock pesado de amor (risos).
“Monocromático”
Essa é uma pedrada. A gente está adorando tocá-la ao vivo. Ela tem uma veia mais energética e, ao mesmo tempo, doce e apaixonada. É a linha tênue que divide o amor do ódio. Com certeza uma das grandes prediletas da casa.
“Ilusões”
Essa música é toda do Japinha, tanto a letra quanto a música. Foi uma das primeiras também que ficaram prontas. Ela é bem grunge e tem uma pegada mais “rockona”. A gente gosta muito de som assim. Tipo Mudhoney e Nirvana.
“Uma Vida Sem Saudade”
Essa música é a que tem a frase que dá nome ao CD. Eu me inspirei muito nas coisas mais atuais que eu estava ouvindo para fazer essa música. E também bandas como Jimmy Eat World, Hot Water Music... O resultado é uma música com muitas nuances, muita dinâmica. Comecei a fazer a letra quando uma cachorrinha de estimação minha ficou cega e, depois de alguns meses, morreu. A letra fala basicamente para nunca se preocupar demais: viver e tentar ser feliz é o melhor que se pode fazer sempre.
“Eu Sou Igual a Você”
Outra música bem ligada ao nosso público. Muita gente sempre nos procurou dizendo que sentia isso ou aquilo ouvindo nossa música ou vendo nosso show. E muita gente, até amigos meus, pensa que, por eu escrever essas letras, talvez eu tenha respostas ou experiência sobre coisas da vida. Quis fazer uma letra que conseguisse dizer isso: somos todos iguais. Começa lenta e vai crescendo. Lembra umas coisas indie anos 90 que eu já ouvi muito na vida.
“Créditos Finais”
Uma música mais hardcore, pegada mais acelerada. Letra sobre o final de um relacionamento. Melodia mais na linha Samiam.
“Voltar ao Normal”
A música “bonitona” do CD. Piano, voz com reverb, letra romântica... É uma música que me orgulho demais de ter feito. Desde as primeiras linhas da letra, a coisa foi fluindo naturalmente e, quando ela ficou pronta, senti que não havia mais nada que eu pudesse fazer por ela, fosse na letra ou na melodia. 100% Hateen na veia.
“Nada Mais”
Essa música partiu de um riff meio metal que entra depois do refrão. A gente fazia esse riff brincando nos ensaios e decidi pegar uma melodia meio Smashing Pumpkins e tacar junto. A letra fala sobre a importância de que as pessoas dão à fama e ao sucesso em geral e também os objetivos que temos como pessoas de sermos felizes, de nunca dependeremos de sucesso ou mídia para isso e sim de sermos como sempre fomos, unidos pelo amor à música e amigos ao nosso redor. Ao mesmo tempo, falo sobre o amor que nos impulsiona para frente em momentos difíceis e da super exposição da mídia em nossas vidas de forma negativa.
“Danger Drive”
Essa é a regravação de uma música antiga nossa em inglês do CD Dear Life, de 2000. Decidimos colocar essa música no CD para que as pessoas que estão nos conhecendo agora possam ter idéia de como era nosso som em inglês. É uma das músicas que todos nós mais gostamos entre as mais de 50 que temos em nossa carreira. Tem bem o espírito Hateen impresso em cada verso e batida.
Assessoria de Imprensa Arsenal Music
* Ana Paula Aschenbach - anapaula@arsenalmusic.com.br
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